Ricos velhas

VOCÊ É RICO E NEM SABE. A grande riqueza que seus avos tiveram e a esquerda esta roubando de você e seu filho, não é a riqueza material(essa eles também roubaram),mas nada como afastarem os jovens de milenios de rica cultura para joga-los contra os proprios pais e as proprias tradições ancestrais...

2020.11.23 00:04 cobrinha_ANCAP VOCÊ É RICO E NEM SABE. A grande riqueza que seus avos tiveram e a esquerda esta roubando de você e seu filho, não é a riqueza material(essa eles também roubaram),mas nada como afastarem os jovens de milenios de rica cultura para joga-los contra os proprios pais e as proprias tradições ancestrais...

VOCÊ É RICO E NEM SABE. A grande riqueza que seus avos tiveram e a esquerda esta roubando de você e seu filho, não é a riqueza material(essa eles também roubaram),mas nada como afastarem os jovens de milenios de rica cultura para joga-los contra os proprios pais e as proprias tradições ancestrais...
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...para defender marxismo cultural que matou 100 milhões, para defender posmodernismo dizendo que tudo até hoje estava errado, jogue fora as tradições que são resultado de milenios de esperiencias praticas daquilo que os seres humanos são capazes de fazer de melhor, botar tudo no lixo e seguir teorias nunca aplicadas, alias, ja aplicadas, porque foi tentado reescrever a historia, nazista e comunistas fizeram isso e pra fazer isso eles precisaram matar milhões e milhões de pessoas, porque tinha aqueles que representavam as velhas tradições, a ameaça do passado maligno que eles pra construir um mundo melhor tinham que enterrar.


Esses jovens que cultuam o marxismo e o posmodernismo, a grande maioria não conhece a historia de seus ancestrais, as vezes nem os pais sabem, isso foi minado, qualquer pessoa mais velha no interior vai falar das virtudes, dos valores, da capacidade de sacrificios e disciplina que faziam parte de suas tradições mesmo que fossem conservadoras em excesso, hoje esses jovens rebeldes quando pensam em sua propria identidade é na relação vazia e ruim que eles tem com os pais que muitas vezes também já foram vitimas do ensino e midia de entretenimento marxista, jovens que acham que a professora é quem sabe a verdadeira historia das familias deles, dos ancestrais, das culturas.


É impressionante quando um jovem que foi doutrinado, como eu, acorda, eu literalmente me senti saindo da matrix, a esquerda recorta pequenos pontos que ela quer da historia, tudo aquilo que sirva pra dizer que existe uma luta de classes e que essa luta é o que realmente guiou a historia e que é o importa, todos os tipos de socialistas, dos stalinistas aos anarco-comunistas, todos, acreditam nessa palhaçada de luta de classes, como eu acreditei, é claro que existe uma tendencia de ricos e pobres se oporem na historia, mas ao mesmo tempo tempo existem muitas outras lutas na historias, o padrão sempre foi tanto ricos e pobres de uma mesma tribo, cidade-estado, reino, cultura, lutarem juntos contra ricos e pobres de outras, normalmente os ricos iam a cavalo, as elites iam para o campo de batalha, foi só quando o desenvolvimento de armaduras capazes de resistir melhor a flechas e avanço das tecnicas militares que houve a reforma hoplita no ocidente e então a guerra foi se tornando decidida pela infantaria, por homens cada vez menos poderosos e isso é o que fez monarquias serem substituidas por oligarquias, republicas e democracias na grecia, então os ricos não eram simplismente os covardes que mandavam escravos lutarem, a maior parte da historia foi o poder sendo decidido em lutas de nobre contra nobre, nobre matando nobre.


Pro homem livre comum, não houve conquista maior do que poder ir para guerra, agora ele era muito mais importante, a sobrevivencia e soberania dos nobres da cidade dele dependiam da assa de homens que ele homem livre comum fazia parte, com as gerações os sobreviventes foram acumulando riqueza atraves de terras ganhas nas conquistas militares e outros espolios, então os ricos comandavam a parada, mas os ricos sempre comandaram a parada e antes o homem comum era quase um escravo, descartavel, não fazia falta se morresse.


Os ricos poderiam ter dito não a reforma hoplita, com certeza houve pelo mundo muitos ricos temendo os homens comuns unidos em grandes exercitos que eram mais poderosos que a cavalaria de sua propria nobresa, mas teve ricos que disseram "foda-se", vamos instruir esses plebeus na arte da guerra, vamos dividir os espolios com eles e ja era, depois a gente ve eles vão virar uma ameaça muito grande pra nós, vamos vencer hoje os nossos inimigos, nos aliando com nossos plebeus, ou seja, ao longo da historia sempre tiveram os ricos descolados que toparam que a plebe melhorasse de vida, se instruisse mais e se tornasse uma ameaça maior aos proprios ricos, mas esses ricos toparam isso justamente porque não eram só de baixo ganhando, eram todos eles ganhando, era o aumento da eficiencia, fazer mais com menos custo, ou seja, enriquecendo toda a sociedade, até os escravos passaram a viver melhor.


Então até o papinho da luta de classes, só existe porque entre os poderosos tem sempre caras que estão dispostos a perder parte do poder, permitir o surgimento de intermediarios, ricos menores, porque a descentralização enriquece todo mundo, isso é o capitalismo, permitir e até enconrajar que as pessoas se especializem, não só aqueles com titulo de nobreza, mas quem permitiu isso foi a propria nobreza, eles eram plebe, viraram nobres e eles mesmos viraram burgueses e abriram as portas para servos se transformarem em todo tipo de comerciantes, então que luta de classes é essa?


Os ricos abrem as portas, sempre foi assim na historia, pode ser que a maioria deles tenham sabotado essas aberturas mas o fato historico é que de tempos em tempos os ricos sempre permitiram que todos vivessem melhor e claro isso gera descentralziação de poder, alguns descendentes de alguns ricos acabam empobrecendo e alguns descendentes do pobres acabam ascendentem nessas aberturas, então os ricos que topam se arriscar e instruir mais gente em novas tecnologias e areas complexas, esses ricos eles vencem na historia e vencem cada vez mais rapido, então a vida dos não ricos nunca foi tão cheia de oportunidades em termos de poder se instruir e participar de revoluções tecnologicas, antes eram a cada seculo agora são a cada 10 anos...


Mas os esquerdistas continuam falando em luta de classes, em dizer que o patrão é o inimigo do empregado, em querer taxas o burgues, poder ter certeza que a desigualdade entre os paises com historico de respeitarem mais os ricos e os que não respeitam como america latina, essa desigualdade vai aumentar muito, porque varios ricos vão gozar da facilidade de investir onde quiserem, não faz sentido deixar seu dinheiro onde tem mais riscos de esquerdistas chegarem no poder, ou dominarem o congresso e usarem de todo tipo de medidas populistas.


Luta de classes é uma ideia fascinante para jovens revoltados com os pais, vão virar intelectuais mediocres, ou pessoas sem instrução que caem nessa historia muito conveniente de juntar sua confição economica inferior com a inveja, o nome certo seria "classes dominantes cada vez menos centralizando o poder e cada vez mais incluindo as outras", e todo esse processo não teve um dedo da esquerda, porque a riqueza que a esquerda gosta de distribuir e fazer populismo, é gerada por pessoas que investiram sendo ricas ou correndo o risco de ficarem ricas, os meritos são dos capitalistas, sem eles a esquerda só teria miseria para distribuir como no fim da união sovietica.


Mas eu estou muito contente nesses ultimos anos, desde que bolsonaro ganhou eu comecei a ouvir conversas antes inimaginaveis, funcionarios conversando com patrões dizendo que se sentiam até mal de ja ter pensando que patrão é um explorador, mas que com a grande contestação da esquerda refletiram e viram que seus patrões eram seres humanos, pessoas que estavam correndo riscos tocando aqueles negocios, que estavam fazendo um grande bem a sociedade, eu vi essas conversas, varias vezes, me parece que houve uma especie de confissão, arrependimento, as pessoas começaram a dizer que sentiam vergonha da ingratidão esquerdista com os empresarios.


Então o jovem revoltado com todo mundo que pensa que os ricos são culpados porque a familia dele é cheia de problema, deveria primeiro querer estudar varias linhas da historia antes de sair aceitando as ideias convenientes da "luta de classes", porque acima de tudo é "tudo mentira" e é "para ladrões roubarem" ao invés de produzirem alguma coisa.


Você é fruto de um emaranhado de relações humanas de pessoas dispostas em permitir, ao longo da historia, o progresso e o avanço de todos, e as tradições de seus ancestrais tem muita riqueza, formas de viver que realmente se provaram com o tempo viaveis e eficientes, você aceitar ideias falsaficadoras da historia como a luta de classes, você esta corrompendo a historia e rica cultura da humanide e de seus proprios ancestrais, pior, você esta cegando a si mesmo, sera usado pelos populistas que são os psicopatas da historia humana sempre gerando miseria e autoritarismo com palavras bonitas de ajudas as vitimas, os coitadinhos, se você não questionar os marxistas e posmodernistas, eles roubam sua identidade, por mais que você não conheça sua propria historia, pense que conhece seus ancestrais e eram uns idiotas, mesmo um comunista dos anos 60 era completamente outro tipo de homem, nem esses servem mais pra o nivel de destruição da cultura, rica cultura milenar da humanidade, agora é dizer que estavam todos erradas, que exintem centenas de generos, que a linguem foi sempre uma linguagem de opressão porque não usavam pronomes neutros, ou seja, seus ancestrais eram uns barbaros e agora especialistas humanistas vão reparar toda a monstruosidade que foi a historia humana.


O dever de cada ser humano honesto é impedir o marxismo e o posmodernismo de fazer essa lavagem cerebral, pelo menos nos seus filhos enquanto crianças, porque a grande riqueza que eles ja roubaram em grande parte do ocidente, é a riqueza da cultura humana, das tradições milenares que se expressam até nossos antepassados, a quebra do contato com quem via significado profundo na vida é uma grande causa de jovens com todo tipo de problemas psicologicos no ocidente hoje, jovens esquerdistas, e eu fui um deles, combatem a cura e lutam para aumentar as doenças das quais eles sofrem, qualquer um que guie sua vida baseada numa luta de identidades de poderosos contra vitimas, vai mais cedo ou mais tarde se transformando num infeliz falsificador da historia humana, um rancoroso daqueles que vão subir, porque ele mesmo é um destruidor, se pelo menos fosse um destruidor, um critico daquilo que é podridão como a propria esquerda, ai o individuo poderia expressar sua raiva mas pelo menos ter a chance de ver o tesouro que a humanidade deixou para ele, desde tempos imemoriais até os ultimos milenios de historia escrita, tradições provadas pelo tempo eque tem muito mais a nos ajudar do que os fracassos do homem novo do seculo 20 que terminou em genocidios.


VOCÊ É RICO E NEM SABE.
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2020.11.17 03:59 fps3000 Uma velha discussão: pobres de direita contra ricos de esquerda

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2020.09.25 04:04 brunusrex Contratação de técnicos não é tão fácil assim.

Aproveitando o gancho das recentes críticas em cima do trabalho dos grandes Diniz, Odair e Coudet, fico imaginando os torcedores dos respectivos times e de todos os demais em que os treinadores estão na berlinda dizendo: Nossa, agora tem que ir atrás do Gallardo, do Pochettino, do Jardim, o JJ acabou de ser eliminado lá na Europa, vai querer voltar.
Será que ninguém percebe que hoje em dia, um treinador estrangeiro de renome ou que está apresentando um grande trabalho não irá aceitar vir trabalhar sozinho, sem poder montar a equipe que quiser? E que, na maioria das vezes o clube não tem como arcar com isso e que por isso buscam um treinador menor para trabalhar com o que já tem?
Por exemplo: O Sampaoli aceitou vir para o Santos por uma bolada, além da promessa de muitas contratações, não aconteceu e olha no que deu. Agora, está fazendo a mesma coisa no Atlético, pedindo jogadores atrás de jogadores. O mesmo com o JJ, que chegou no Flamengo com um time já montado, mas mesmo assim necessitou de mais peças.
É aquela velha de que o Guardiola é o melhor técnico do mundo porque só treinou esquadrões, mas é lógico, se ele pode escolher, não escolheria ir treinar o XV de Piracicaba (se bem que eu adoraria), iria escolher um time grande e rico para que possa satisfazer todas as suas vontades e disputar títulos.
Tirando as equipes ricas do Brasil, cof..cof..Flamengo...cof..cof..Palmeiras.., quem realmente de nome iria vir treinar um São Paulo, Santos, que não pode contratar ninguém, Fluminense? Temos que viver de apostas, como o Diniz, técnicos medalhões ou que vivem de galho em galho, como o Dorival, Cuca, Mano, essa turma aí conhecida por todos.
Eu sei quanto é foda dormir pensando no Guardiola, mas acordar com o Diniziola, porém acho que isso é muito mais complicado do que realmente parece.
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2020.09.20 14:53 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 1: Mudanças e chegadas]

Olá amigos. No post anterior introduzi levemente o espírito desta série, e este é o primeiro capítulo "a sério" da série. Este capítulo versa sobre o processo de preparação para a mudança e o "primeiro embate" da chegada ao novo país; que assuntos tive que tratar imediatamente antes de me mudar, assim como assim que cheguei. Como tenho dito, esta experiência é pessoal, e é importante que entendam que não se aplicará certamente a todos. Riam-se, chorem, e deixem os vossos pensamentos na caixinha em baixo.
Ao longo do texto vão ver uns números entre parênteses rectos ([XXXX]). Isto são referências que estão por extenso perto do fim do post, na secção apropriadamente denominada "Referências".

Take-Aways Principais

Eu gosto de ter uns bullet points com as ideias principais que se devem reter de cada capítulo, uma espécie de "se não leres mais nada, lê isto" do capítulo. Os deste capítulo rezam assim:
Os detalhes estão no texto por aí abaixo.

A odisseia do trabalho científico em Portugal

Já alguma vez tiveram aquele sonho em que querem gritar e não conseguem? Aquela sensação quase infantil de impotência, do pavor da inacção e do pasmo em relação ao que quer que seja que se está a desenrolar à nossa frente? Ou aquele em que querem esmurrar alguém mas não acontece nada? A sensação de impotência é, pessoalmente, das piores que podemos ter; a de querermos fazer alguma coisa, acharmos que sabemos o que fazer e não conseguirmos.
Trabalhar no tecido académico e de micro-empresas português (vulgo technology transfer) é um bocadinho assim. Por mais que um gajo se esforce, é muito difícil escapar à subsidio-dependência, à chico-espertice, à mediocridade, à inexperiência, à falta de processo e, acima de tudo, à falta de recursos. Por bom que seja o sonho, por interessante que seja o projecto, por positivo que seja o ambiente de trabalho, por porreiros que sejam os colegas, há uma sensação latente de "isto não vai dar para construir uma carreira". Isto torna-se particularmente agudo quando se trabalha numa área de tecnologia de ponta, para a qual inevitavelmente o mercado português está pouco desenvolvido. Não havendo mercado, a empresa vira papa-projectos e passa a viver de fundos comunitários, QRENs, COMPETEs, H2020s e coisas que tal. O tempo que se devia gastar em desenvolvimento é gasto a tentar convencer revisores de projectos a darem-nos mais uma esmola, e todos os projectos são uma corrida ao fundo: como é que conseguimos fazer esta omelete bonita com muito poucos ovos? Será que precisamos mesmo de duas pessoas para fazer isto, não dará só uma? Certamente o equipamento X também dá para este projecto.
Um aspecto particularmente doloroso neste ambiente é a altíssima rotatividade dos colegas. Quando se trabalha nestas condições tende-se a depender de recursos precários: bolseiros de investigação, estágios IEFP, estágios profissionais, estágios académicos, e por aí fora. Isto torna imediatamente impossível treinar alguém para fazer alguma coisa de jeito, e dei por mim a ensinar 3 ou 4 pessoas a fazer a mesma coisa em ocasiões diferentes ao longo dos anos. Nunca ninguém fica e toda a gente parte para outra, seja porque a empresa não lhes pode pagar, ou porque são incompetentes demais para nos darmos ao trabalho de lhes tentar arranjar financiamento. As caras e os nomes confundem-se numa espécie de groundhog day tecnológico em que cada ano que passa temos as mesmas conversas. Um tipo que vá ficando, ora porque é bom ou porque é teimoso, vai dando por si a avançar na idade ao mesmo tempo que os colegas não. A certo ponto, todos os meus colegas eram pelo menos uns 4 ou 5 anos mais novos que eu; ora se até eu quase nem tinha barba (hipérbole), então eles estavam mais verdes que as bananas da Costa Rica quando chegam ao Continente.
Quando me perguntam porque é que os portugueses têm tendência a se dar bem lá fora, aponto-os sempre para as condições em que somos habituados a fazer trabalho world-class. As publicações a que submetemos artigos não querem saber das nossas dificuldades; querem papers de qualidade. As agências de financiamento não querem saber de rotatividade, querem saber de know-how, track record e orçamentos. O trabalho que temos que entregar para sobreviver tem que ser de topo, ao mesmo tempo que as condições são de fundo. Pega-se num tipo habituado a isto, senta-lo numa cadeira de 300€, dá-se-lhe 3 monitores e um portátil que dava para comprar um carro, e é natural que o desempenho seja incrível.
Eu não me considero um perfeccionista (e acho que quem se considera perfeccionista pensa demais de si próprio) mas procuro estar numa constante curva ascendente no que toca à qualidade do meu trabalho. Umas vezes a curva é mais inclinada, outras vezes é menos inclinada, mas a cada dia estar um bocadinho melhor que no dia anterior. Aliás, quem me conhece sabe que esse é um traço que aplico em quase tudo: no trabalho, na vida, no desporto, etc. Antes de me mudar sentia que tinha batido no tecto da qualidade do que podia entregar. O meu esforço era máximo e o factor limitador da qualidade da entrega era a forma como o trabalho que eu tinha para fazer era entregue. Não havia tempo suficiente para inovação, era preciso planear de forma irrealista (e entregar de forma irrealista) para se conseguir fazer o malabarismo de todos os projectos. A constante mudança de contexto comia horas todos os dias.
A ética de trabalho portuguesa é, geralmente, horrível. Se eu trabalhei as minhas 8h, entreguei o que tinha para entregar e não tenho horário de trabalho, então vou sair às 16h. Ou chegar às 10h. Geralmente, fazer menos que 9-19 é mal visto, e eu fui sempre muito vocal (se calhar de forma prejudicial para mim próprio) acerca do quão estúpido isso me parece. Cheguei a ouvir algo semelhante a "tu és daqueles gajos que vão de férias desaparecem do mapa". Não é esse o objectivo das férias?

Um dia destes decidi mudar-me para o UK

Então um dia desatei a mandar CVs por esse mundo fora, a ver o que colava. Inevitavelmente, apareceram-me várias ofertas interessantes, a melhor das quais no UK. Contas feitas, a oferta praticamente multiplicou o meu salário bruto por 5 (talvez um bocadinho mais), empurrando-me de um salário mediano em Portugal para um salário bastante acima da média no UK. Esta é daquelas particularidades a que me refiro quando digo que a minha experiência é extremamente pessoal: eu tive a sorte de gostar e ter talento para trabalhar nesta área, e a dupla sorte de ser uma área em que simultaneamente há muita oferta e pouca procura de trabalho. Meio ao calhas cultivei um skillset muito valioso, ou que consegui vender bem. Infelizmente, para manter esta conta dissociada da minha identidade não vos posso especificar qual é; somos poucos, tornava-se muito fácil encontrar-me pelas publicações.
Curiosamente, está agora (à data da escrita) a fazer um ano que me decidi mudar. Nessa altura, a maior preocupação de quem se mudava para o UK era o Brexit, mas houve uma série de factores que me acalmaram:
Acerca deste último: ser estrangeiro no UK ou ser em qualquer outra parte é, para mim, semelhante. Então, se o Brexit por alguma razão resultasse numa perseguição aos estrangeiros, ou numa forte desvalorização da libra, etc, a minha situação ainda assim seria melhor que antes. Teria um CV mais rico, experiência adicional na indústria, e dinheiro no banco, tudo factores que facilitariam a mudança para um país terceiro.
Portanto com os factores políticos resolvidos por ora, e com a família a apoiar, lá me decidi.
Lá vim eu.

Preparação

A preparação para a mudança dividiu-se em:
Para benefício máximo meu e das duas empresas envolvidas, decidi reservar apenas umas 3 semanas sem trabalhar para tratar de tudo. Arrependi-me profundamente: devia ter fodido uma das empresas (a velha, potencialmente) e tido mais tempo para mim e para os meus. Naturalmente, houve muito que pude fazer enquanto trabalhava, como tratar da documentação. A logística foi um pesadelo; tive que esvaziar o apartamento em 2 dias e encontrar forma de arrumar tudo o que tinha na minha casa de família. Uma boa parte ficou por fazer pois queria passar tempo com a família em vez de arrumar merda. Tive que denunciar o contrato de arrendamento, da energia, da água e das telecomunicações. Obviamente, a Vodafone foi a mais merdosa no meio disto tudo, primeiro porque queriam que pagasse a fidelização (tive que demonstrar que vinha para o estrangeiro), e depois porque queriam cobrar o equipamento apesar de o ter entregue a horas e em boas condições. Típica escumalhice de telecom portuguesa, nada de novo.
A preparação legal foi mais cuidada. Para referência, a documentação que preparei foi:
Também nomeei (por procuração) um representante legal em Portugal. Inicialmente pareceu-me overkill, e apenas o recomendaria se tiverem alguém que seja de muita, muita confiança. Mas para mim tem sido muito útil, pois essa pessoa pode-me substituir em qualquer todos os compromissos, requerer a emissão de documentação em meu nome, transaccionar os meus bens (tipo vender o carro velho) e negociar em meu nome com as telecoms quando se armam em parvas (ver Vodafone acima). A pessoa que ficou com esta responsabilidade é da minha absoluta confiança, mas mesmo assim é um compromisso que deve ser mantido debaixo de olho e apenas pelo tempo necessário.
Às tantas perguntei-me "sua besta, já pensaste em quanto dinheiro vais gastar?" Bom, através de uma combinação de salário baixo e escolhas financeiras pouco saudáveis (que reconheço mas não quero detalhar), as minhas poupanças resumiam-se a uns míseros 2000€. Amigos, 2000€ não é dinheiro nenhum. Precisava de mais. Pelas minhas contas, e porque não vinha sozinho, precisaria de cerca de 15000€ para fazer isto com algum descanso, ainda que não conforto.
Lembram-se de quando tivemos uma crise "once in a lifetime" em 2008? Aquela da qual vamos ter saudades agora em 2021? Essa mesmo. Uma consequência engraçada dessa crise foi que as pessoas se habituaram a fazer crédito ao consumo, e os bancos habituaram-se a emprestar dinheiro como quem dá cá aquela palha, já que o Estado depois os resgata e ninguém vai preso. Como sempre trabalhei, paguei os meus impostos e nunca tive dívidas, pude pedir um crédito pessoal para pagar a mudança inicial. 15k no banco, check.
Obviamente não o gastei todo, e a empresa para onde fui trabalhar devolveu-me uma esmagadora parte do que gastei através de um fundo de "relocation expenses". A empresa pagou (mas eu tive que adiantar):
Em cima disso, paguei eu:
Admito que fiz algumas escolhas controversas, e houve muito dinheiro perdido em conversão de moeda. Podia ter ficado fora da cidade enquanto procurava apartamento, podia ter comprado mobília mais barata, podia ter dormido no chão, podia ter comprado malas mais baratas, podia ter andado de comboio em vez de alugar carros quando precisei. Mudei-me de uma forma que considero "medianamente confortável": não o fiz luxuosamente, mas dei-me ao luxo de trazer a Maria, de não ter que partilhar casa e de evitar largamente transportes públicos. Com o dinheiro que a empresa me devolveu constituí um fundo de emergência. Não liquidei logo a dívida porque entendo que é mais importante ter um fundo de emergência do que estar debt-free (mais sobre isso daqui a um post ou dois).
São escolhas. Emigrar é caro, amigos. Conheço quem o tenha feito com 200€ no bolso, mas não é confortável e não quero isso para mim.
Praticamente foi tudo pago através do Revolut. Criei uma conta pouco antes de vir, comprei o premium para não ter limites de conversões, e usei. Inclusivamente recebi lá o primeiro salário enquanto não criei a conta no banco.
A preparação emocional foi a menos complicada. O meu núcleo duro é relativamente pequeno, e toda a gente estava preparada há muito tempo para que eu "fugisse"; era conhecido praticamente desde que tinha começado o PhD que a minha área não era viável em Portugal, e que estava revoltado com a ética de trabalho merdosa. Naturalmente a minha mãe não gostou da ideia, mas são coisas da vida. Ainda assim, um conselho: não se armem em fortes e não descuidem a preparação psicológica/emocional que é necessária para este tipo de viagem. Eu sei que pessoas diferentes têm níveis de resiliência diferentes, mas o português tem muito a mania de achar que é o maior; cuidado com isso. Além disso, não deixem que estas preparações vos tomem todo o tempo que têm; guardem tempo para estar com a família, para lazer, e para descansar. Eu deixei-me consumir um pouco e não foi bom.

Como não ser sem-abrigo

Aterrei em meados de Setembro num dia nublado com duas malas de 30kg, uma mochila para mim e outra para a Maria, e a convicta certeza de que me estava a foder. Tinha cerca de 2.5 semanas até começar a trabalhar, e até lá a missão era só uma: encontrar um apartamento. Há muito para dizer acerca da habitação no UK, vou escrever um post só para isso e por isso aqui vou focar apenas na experiência do recém-chegado.
Eu decidi que não estava disposto a arrendar pelo privado; iria sempre através de uma agência imobiliária. Como não tinha tanta familiaridade com o mercado nem com a legislação, achei que seria mais seguro ir por essa via mais cara e minimizar a possibilidade de ser ludibriado. Recomendo vivamente. Então comecei a encetar contactos por telefone para marcar visitas a apartamentos.
E aí bateu-me.
Eu não conseguia perceber nada do que estes caralhos diziam ao telefone. NADA. "Ahka hrask apfiasdafsd duja sudn" diziam eles, e eu "sorry, I have a really bad connection, could you repeat that?" e eles lá repetiam mais calmamente "G'mornin, how can I help you today?". Muita vez disse eu que tinha pouca rede, a ver se eles abrandavam um bocadinho. E funciona! Top tip: se estiverem a tentar perceber o que eles dizem por telefone, queixem-se da ligação; o serviço móvel no UK é tão mau que eles vão na conversa.
Agora, eu sei falar inglês, ok? Naveguei perfeitamente bem as entrevistas, tenho dúzias de publicações em inglês "impecável", e trabalho em inglês há anos e anos. O problema é o seguinte: falar inglês enquanto se trabalha e escrever coisas em inglês são ambos experiências muito diferentes da de tentar falar com um nativo com sotaque, que assume maneirismos e expressões que não conhecemos, sobre locais que não conhecemos e dentro de um sistema (de arrendamento) que não conhecemos, tudo isto por telefone e sem poder ler nos lábios nem ler expressões corporais.
Com algum desenrascanço tipicamente português fui enchendo os dias de visitas a apartamentos na zona. Num dos dias aluguei um carro para ir ver apartamentos numa cidade vizinha (onde até acabei por ficar), algo que recomendo vivamente. Durante essas semanas vimos facilmente uns 25 apartamentos, talvez mais. As primeiras impressões foram:
(Um aparte acerca da alcatifa: se tiverem uma casa toda alcatifada comprem um robot aspirador de qualidade e aspirem todos os dias, até mais do que uma vez. A vossa qualidade de vida vai aumentar 1000 vezes.)
Escolhido o apartamento, fizemos uma oferta/candidatura. Oferecemos o valor que o senhorio pedia e, já tendo falado com muitos agentes, ofereci-me para pagar o contrato inteiro de 6 meses no dia da entrada. O que se seguiu foi um processo que, para mim, era completamente estrangeiro: o de "referencing" do potencial arrendatário. Pediram-me as moradas anteriores até 3 anos e os contactos dos senhorios, assim como a minha morada de família permanente e (muitos) dados pessoais. Essa informação foi usada para verificar que eu não era um impostor, e para verificar que tinha o hábito de pagar a renda. Ligaram para a minha antiga senhoria portuguesa, uma senhora de 82 anos, a perguntar se eu pagava a renda. Por mero acaso ela fala inglês (foi investigadora) e soube-lhes dar resposta, mas achei a atitude absolutamente desnecessária. Lembro-me de me sentir ofendido; "mas estes filhos da puta acham que pagar 6 meses à cabeça não chega?"
Seguiu-se um contrato de arrendamento para uma Assured Shorthold Tenancy [1], que é a modalidade "normal" de arrendamento para habitação por aqui. O agente imobiliário tratou de toda a papelada, mas eu tirei um dia para ler todo o contrato e verificar se batia certo com o que conhecia da lei daqui, o que recomendo vivamente. Atenção que a partir de meados de 2019 as taxas cobradas pelos agentes imobiliários passaram a ser limitadas por lei [2], por isso se vos pedirem alguma taxa administrativa mandem-nos sugar no pénis mais próximo. Na altura disseram-me que o normal, antes dessa mudança, seria o arrendatário pagar uma taxa de 700 libras à imobiliária pelo serviço. Era matá-los.
Assinado o contrato, ficou fixada uma data para entrada no apartamento. O valor a pagar é esperado nesta altura, no momento imediatamente precedente à entrega das chaves, o que significa que é preciso ter esse dinheiro disponível num cartão aceite pela imobiliária. Obviamente que é possível pagar por transferência, mas isso pode atrasar a data de entrada, e eu estava a pagar hotel por isso tinha interesse em me despachar.
Este processo foi, para mim, extremamente stressante. Até ao momento em que temos a chave na mão, o nível de incerteza é altíssimo: vou precisar de estender a estadia no hotel? Vou ter dinheiro que chegue caso o senhorio recuse o arrendamento? Será que vou ter que procurar noutra zona? Será que vou conseguir fazer isso enquanto trabalho? Para mim, encontrar a primeira casa foi facilmente a parte enervante da mudança. Agora já tenho uma posição muito mais sólida: conheço a zona, conheço o mercado, tenho um pé de meia e transporte próprio. O início custa muito mais.

Burocracias adicionais a tratar no início

Além da casa, que era a minha primeira preocupação, há um outro conjunto de coisas que têm que ser tratadas quanto antes:

Referências

[1] https://england.shelter.org.uk/housing_advice/private_renting/assured_shorthold_tenancies_with_private_landlords [2] https://www.gov.uk/government/collections/tenant-fees-act [3] https://www.gov.uk/council-tax [4] https://www.gov.uk/tax-codes [5] https://www.gov.uk/income-tax/how-you-pay-income-tax

Capítulos Anteriores

O próximo capítulo deve ser mais sobre habitação ou sobre compramanter carro e conduzir. Depende de qual o capítulo que acabar por ficar pronto mais cedo. Às tantas calha ser outro qualquer ¯\_(ツ)_/¯
Se este post gerar uma resposta tão forte como os outros, é possível que eu não consiga responder a todos os comments. Se for esse o caso, peço desculpa; vou dar o meu melhor.
No outro post alguém (um mod?) colocou o flair "Conteúdo Original". Não encontrei esse por isso pus "discussão".
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.
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2020.07.16 22:38 HoBaLoy Do Grande Conselho de 101 AC (parte I)

Nesta Quinta NÃO-ASOIAF a abordagem tratará de talvez (e na minha opinião é) o maior evento EXCLUSIVAMENTE POLÍTICO de O Mundo de Gelo e Fogo elaborado por Martin, que é o Grande Conselho de 101 AC. Indiscutivelmente este seria um evento para a posteridade e este foi o objetivo do Rei Jaehaerys I ao convocá-lo. Não se trata de uma discussão definitiva apenas alguns apontamentos e reflexões a serem discutidas.
As discussões são muito amplas, portanto, neste primeiro momento pretendo abordar apenas as questões envolvendo os senhores presentes e os pretendentes.
O que resultou na convocação de tal Conselho foi que o filho e herdeiro do rei Jaehaerys I, príncipe Aemon falecera em 92 AC. Posteriormente a isso, Rei Jaehaerys nomeou o príncipe Baelon como seu herdeiro, em tese “passando por cima” da pretensão da filha de Aemon, a princesa Rhaenys. O príncipe Baelon morreu em 101 AC enquanto servia como Mão do Rei.
Quem acabou por sugerir a realização do Conselho foi o Arquimeitre Vaegon, único filho homem do Rei Jaehaerys I ainda vivo.
Os principais pretendentes eram o Princípe Viserys, filho de Baelon , e o Princípe Laenor Velaryon, filho da Princesa Rhaenys (filha do Princípe Aemon). Vejam que, em escala direta, Viserys era NETO do Rei e Laenor, BISNETO do Rei.
O grande castelo de Harrenhal foi escolhido como sede do Conselho, compareceram mais de mil senhores. O total de POSSÍVEIS pretendentes é dito em Fogo & Sangue como 14 (quatorze) mas o foco recairá sobre os 2 principais e uma breve menção a alguns outros.
1) Laenor Velaryon, filho da princesa Rhaenys - que era a filha mais velha do filho mais velho de Jaehaerys, Aemon;
2) Príncipe Viserys, filho mais velho de Baelon, o Valente e da princesa Alyssa.
A primogenitura favorecia Laenor, enquanto a proximidade favorecia Viserys, que também era o último príncipe Targaryen a montar Balerion antes da morte do dragão em 94 AC. Laenor também era um cavaleiro de dragão (com Fumaresia).
Para os senhores de Westeros ainda existia o conceito da prevalência da linhagem masculina PURA sobre a linhagem feminina, o que favorecia Viserys. Também vale dizer que Viserys já era um homem com 24 anos de idade enquanto Laenor era um menino com 6-7 anos.
Lembremos também que a Rainha Visenya era dois anos mais velha que Aegon o Conquistador e isso fora mencionado por Gyldayn, logo deve ter sido umas das argumentações favoráveis à postura de favorecimento da linhagem masculina PURA.
A convocação de tal Conselho também julgo ser conveniente para o Rei Jaehaerys I pelo fato de ter apontado Baelon em detrimento de Rhaenys e com isso ter entrado em conflito com a Rainha Alysanne (apesar de já falecida), isso faria com que ao menos honrasse sua memória de alguma forma.
Das casas nobres, os seguintes representantes compareceram para falar em nome do candidato que achavam que deveria suceder ao Velho Rei:
Não existe menção a representantes específicos das Ilhas de Ferro.
As leis de sucessão mais puristas e sem distinção, EM TESE, apoiariam a pretensão de Laenor, pois sua mãe, a princesa Rhaenys, era filha do príncipe Aemon, que era o filho mais velho do rei Jaehaerys.
Algo favorável a Laenor era o fato dele ser filho de Lord Corlys Velaryon, a Serpente do Mar, dito à época um dos homens mais ricos e respeitados dos Sete Reinos.
Alguns outros possíveis pretendentes abriram mão de suas pretensões por apoiarem alguns parentes ou mesmo julgarem não ter chances suficientes.
Mas existem algumas coisas para reflexão. Sabemos que a pretensão de Viserys foi a que prevaleceu mas o texto de Gyldayn nos diz algo a se pensar:
“Apesar de os meistres que contaram os votos nunca terem revelado os números, diziam depois que a votação fora de mais de vinte contra um.”
Dizem também que Derivamarca e Ponta Tempestade aceitaram a decisão apenas porque os resultados foram muito incontestáveis. Porém desconfio particularmente de um resultado dito tão retumbante.
Corlys Velaryon, Boremund Baratheon, Ellard Stark, a Casa Blackwood, Lord Bar Emmon, Lord Celtigar, a Casa Dustin e a Casa Manderly todas apoiaram Laenor Velaryon. Apesar de não mencionado seria de esperar que Yorbert Royce também estivesse do lado de Laenor pelo fato de não apenas ele estar lá representando Jeyne Arryn, uma mulher, cujos direitos ao Vale estariam em questão se a primogenitura feminina fosse desconsiderada, mas também sua própria sede de Pedrarruna seria herdada em breve por uma mulher (Rhea Royce). Ou o casamento com o Princípe Daemon fora arranjado justamente com estes termos? (e claro que existe Aemma Arryn nesta questão)
Normalmente os vassalos acompanhariam os seus suseranos nos votos, principalmente se quisessem ganhar o seu favor em questões locais. Seguindo essa linha, os votos do Norte, das Terras da Tempestade, do Vale e do Mar Estreito (em virtude da grande influência exercida por Lord Corlys) iriam para Laenor Velaryon.
Viserys ainda poderia EM TESE ganhar com os votos da Campina, das Terras Ocidentais e das Terras Fluviais mas e essa tal diferença indiscutível?
Também sabemos que os votos foram inspecionados pelos meistres. Existia alguma influência direta de Vaegon nisso? Qual dos pretendentes a cidadela favorecia?
Após a escolha de Viserys a Casa Hightower (patronos da Cidadela) começa a ganhar destaque. o irmão 'erudito' do Senhor de Vilavelha, Otto Hightower, foi escolhido Mão do Rei e se torna o governante efetivo do reino (Jaehaerys I já acamado à época).
Já quando rei Viserys I acaba por escolher Alicent Hightower como nova esposa. Lembremos também que Lyonel Strong fora um noviço na Cidadela forjando 6 elos e este se tornou posteriormente Mão do Rei (sob Viserys I).
O que acham destas reflexões e especulações?
(Haverá uma parte II)
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2020.06.20 04:53 altovaliriano As visões na Casa dos Imortais

Como forma de preparação para o lançamento do fascículo da HQ de A Fúria dos Reis com as visões na Casa dos Imortais, resolvi explorar as interpretações que o fandom dá às visões que Daenerys vê no local.
A parte sobre as três fogueiras, três montarias e três traições não constam aqui, pois não são visões.
Numa sala, uma bela mulher estendia-se nua no chão enquanto quatro homenzinhos rastejavam por cima dela. Tinham caras pontiagudas de ratazana e mãozinhas cor-de-rosa, como o criado que lhe tinha trazido o copo de sombra da tarde. Um deles subia e descia entre as suas coxas. Outro atacava seus seios, mordendo seus mamilos com a boca úmida e vermelha, rasgando e mastigando.
A interpretação desta visão tem muito consenso entre os leitores. É muito aceita a explicação de que a mulher representaria Westeros, enquanto os homenzinhos seriam os reis disputando o poder após a morte de Robert Baratheon.
Aonde as leituras diferem é quando tentam explicar porque há 4 homenzinhos, quando a guerra teve cinco pretendentes a rei. Alguns dizem que é porque Renly já estava morto, enquanto outros dizem que é porque Balon ainda não havia sido coroado.
Mais à frente, viu um festim de cadáveres. Massacrados de forma selvagem, os convivas jaziam espalhados por cima de cadeiras viradas e mesas de montar estilhaçadas, estatelados em poças de sangue coagulando. Alguns tinham perdido membros, ou até a cabeça. Mãos cortadas seguravam taças ensanguentadas, colheres de pau, aves assadas, nacos de pão. Num trono acima deles, estava sentado um morto com cabeça de lobo. Usava uma coroa de ferro e segurava numa mão uma perna de cordeiro como um rei seguraria um cetro, e seus olhos seguiram Dany com um apelo mudo.
Sem dúvida, a primeira premonição do Casamento Vermelho.
Ela fugiu dele, mas só até a próxima porta aberta. Conheço esta sala, pensou. Lembrava-se daquelas grandes vigas de madeira e das faces de animais esculpidas que as adornavam. E ali, do lado de fora da janela, um limoeiro! Vê-lo fez o coração de Dany doer de saudade. É a casa da porta vermelha, a casa em Bravos. Assim que aquele pensamento atravessou seu espírito, Sor Willem entrou na casa, apoiando-se pesadamente em sua bengala.
Princesinha, aqui está – ele disse em sua voz áspera e bondosa. – Venha, venha até mim senhora, está em casa agora, está a salvo agora – sua grande mão enrugada estendeu-se para ela, suave como couro velho, e Dany quis pegá-la e beijá-la, desejou isso mais do que já tinha desejado qualquer outra coisa na vida. O pé avançou, e então pensou: Ele está morto, está morto, o querido velho urso, morreu há muito tempo. Recuou e fugiu.
Esta visão é decifrada pela própria Daenerys. Porém, é a primeira vez que temos uma descrição do interior da casa da porta vermelha. A casa representa a sensação de pertencimento que Daenerys busca desde criança. Por isto quase cedeu à tentação vendo a miragem.
Por fim, um grande par de portas de bronze surgiu à sua esquerda, mais grandiosas do que as outras. Abriram-se quando se aproximou, e teve de parar e olhar. Para além delas estendia-se um cavernoso salão de pedra, o maior que alguma vez vira. Os crânios de dragões mortos miravam-na das paredes. Num trono elevado cheio de farpas, sentava-se um velho com ricos trajes, de olhos escuros e longos cabelos cinza-prateados.
Que ele seja rei de ossos esturricados e carne assada – disse para um homem que estava embaixo. – Que seja rei de cinzas – Drogon guinchou, enterrando as garras em seda e pele, mas o rei em seu trono não o ouviu, e Dany seguiu adiante.
Há certo consenso que esta visão representa Aerys antes de ser morto por Jaime, ordenando a Rossart que tocasse fogo em Porto Real com fogovivo.
Seu primeiro pensamento, na vez seguinte em que parou, foi Viserys, mas um segundo olhar fez Dany mudar de ideia. O homem tinha os cabelos do irmão, mas era mais alto, e seus olhos eram de um tom escuro de índigo, e não lilases.
Aegon – ele disse para uma mulher que amamentava um recém-nascido numa grande cama de madeira. – Que nome seria melhor para um rei?
Fará uma canção para ele? – a mulher perguntou.
Ele já tem uma canção. É o príncipe que foi prometido, e é sua a canção de gelo e fogo – ergueu o olhar quando disse aquilo, e seus olhos encontraram os de Dany, e pareceu que a via ali em pé através da porta. – Terá de haver mais um – ele disse, embora Dany não soubesse dizer se estava falando para ela ou para a mulher na cama. – O dragão tem três cabeças – dirigiu-se ao banco da janela, pegou uma harpa e seus dedos correram com leveza sobre as cordas prateadas. Uma doce tristeza encheu o quarto enquanto homem, esposa e bebê se desvaneciam como a neblina da manhã, deixando para trás apenas a música a fim de apressá-la.
As pessoas nesta visão são Rhaegar, Elia e o bebê Aegon, como o próprio GRRM confirmou.
É a primeira vez que a canção de gelo e fogo é mencionada, mas pelo que vimos, ela é uma espécie de canção profética que Rhaegar conhecia e atribuía a seu própri filho. Como sabemos via meistre Aemon que Rhaegar acreditava que era o príncipe que foi prometido, mas depois passou a acreditar que fosse seu filho Aegon, é muito provável que esta canção trate sobre o príncipe que foi prometido.
A menção ao número três para a cabeça dos dragões sugere que Rhaegar acreditava que precisava de um terceiro filho. Como seus filhos já se chamavam Aegon e Rhaenys, é teorizado que ele estaria tentado gerar uma nova filha, a quem daria o nome de Visenya. Muitos leitores encaram que era isto que ele tinha em mente quando raptou Lyanna Stark (que, por ironia, lhe deu um filho homem – Jon Snow).
Para além das portas encontrava-se um grande salão e um esplendor de feiticeiros. [...]
Esta visão dos Imortais é uma referência à idealização da aparência dos imortais. Magos poderosos que alcançaram a vida eterna costumam ser representados como belos e vistosos, mas a visão de Martin sobre as pessoas que procuram ter o poder de escapar da morte é mais parecida com a que vem a seguir: pessoas em putrefação.
Viserys gritou quando ouro derretido escorreu por sua cabeça e encheu sua boca. Um senhor alto, com pele de cobre e cabelo louro-prateado, ergueu-se sob um estandarte com um garanhão fogoso, tendo uma cidade incendiada como fundo. Rubis escorreram como gotas de sangue do peito de um príncipe moribundo, e ele caiu de joelhos na água, e com o seu último suspiro murmurou um nome de mulher…
Aqui há Viserys e Rhaegar morrendo (murmurando o nome de Lyanna), mas também há uma visão de uma realidade alternativa em que Rhaego tomava uma cidade, uma realização da profecia do Dosh Khaleen sobre o Garanhão que montou o mundo.
Mãe de dragões, filha da morte…
Aqui a aposta é a de que se refere ao fato de Daenerys ter nascido à custa da vida de sua mãe, assim como quase toda sua família morreu antes de ela nascer.
Brilhando como o pôr do sol, uma espada vermelha foi erguida na mão de um rei de olhos azuis que não projetava sombra. Um dragão de pano oscilou em mastros por cima de uma multidão exultante. De uma torre fumegante, um grande animal de pedra levantou voo, exalando fogo de sombras. …
O rei sem sombra de olhos azuis com a espada vermelha seria uma referência à Stannis. O dragão de pano exaltada pela multidão seria uma premonição sobre a aceitação da legitimidade de fAegon. O grande animal de pedra seria mais uma profecia falha, sobre a capacidade de Melisandre de acordar dragões da pedra – porém, há quem diga que seria uma alusão à escamagris contraída por Jon Connington.
Mãe de dragões, matadora de mentiras…
Os leitores acreditam que aqui os Imortais afirmavam que Daenerys seria quem desfaria os impostores acima.
Sua prata trotou pela grama, dirigindo-se a um riacho sombrio sob um mar de estrelas. Um cadáver ergueu-se à proa de um navio, de olhos brilhantes na face morta, lábios cinzentos sorrindo tristemente. Uma flor azul cresceu de uma fenda numa muralha de gelo e encheu o ar de doçura…
As visões acima parecem fazer referência à primeira noite de Daenerys com Drogo, enquanto a última parece uma referência à Jon Snow crescendo na Muralha. O fato da flor exalar doçura parece um indicativo de que ele e Daenerys terão um envolvimento romântico. Por esta razão, o cadáver na proa do navio sorrindo (“joy”) tristemente (“grey”), seria um indicativo de que Daenerys pode ter algum envolvimento com alguém da família Greyjoy, possivelmente Victarion já que ele parece estar marcado para morrer (especialmente com sua mão fumegante).
Mãe de dragões, noiva do fogo…
Alguns leitores acreditam que seria uma referência a Drogo ter sido cremado e a Jon ter uma mão queimada. Outros acreditam que seja uma referência a Daenerys ser uma noiva do fogo, a procura de um noivo do gelo.
E as visões vieram, cada vez mais rápidas, uma após a outra, até parecer que o próprio ar tinha ganhado vida. Sombras rodopiaram e dançaram dentro de uma tenda, elásticas e terríveis.
As sombras na tenda de Mirri Maz Durr, sem dúvida.
Uma menininha correu descalça para uma grande casa com uma porta vermelha.
Daenerys criança.
Mirri Maz Duur guinchou entre as chamas, com um dragão irrompendo de sua testa.
Mirri Maz Durr teria dado vida aos dragões.
Atrás de um cavalo prateado, o cadáver ensanguentado de um homem nu foi arrastado aos solavancos.
O cadáver do vendedor de vinhos que pretendia envenenar Daenerys.
Um leão branco correu por pastos mais altos do que um homem.
O hrakkar que Drogo matou.
À sombra da Mãe das Montanhas, uma fileira de velhas nuas saiu de um grande lago e ajoelhou-se tremendo diante dela, com a cabeça cinzenta inclinada.
Daenerys será reconhecida como o Garanhão que Monta o Mundo.
Dez mil escravos ergueram mãos manchadas de sangue enquanto ela passava por eles a galope em sua prata, correndo como o vento. “Mãe!”, gritaram. “Mãe, mãe!” Estendiam as mãos para ela, tocavam-na, puxavam seu manto, a barra de sua saia, seu pé, sua perna, seu seio. Desejavam-na, necessitavam dela, do fogo, da vida, e Dany arquejou e abriu os braços para se entregar a eles…
Escravos libertos de Yunkai, mas na visão eles a estão agarrando e então Daenerys entende que são os imortais que a estão puxando, tentando tirar seu poder e dragões.
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2020.06.05 10:22 eusoulegal6 No Brasil, rico sempre são os outros

"Ei, você que tem Hilux. Quando a gente critica os ricos, ninguém ta falando de você"
"Ai o cara ganha 15 mil por mês e vai votar achando que é rico"
"Você fala de taxar as grandes fortunas e o cara que tem uma BMWzinha pra la de velha acha que estamos falando dele"
No Brasil existe uma classe média alta que pensa que é rica. Mas na verdade, é pobre igual a todos nós.
Ou pelo menos é isso que a esquerda diz. Principalmente quando se fala em reduzir a desigualdade.
Essa tese diz que o problema no Brasil não é quem ganha 30, 40, até 50 mil por mês. Essas pessoas fazem parte da grande massa dos "pobres" enquanto a verdadeira elite dos multi-milionarios acumula todo o dinheiro e nos da migalhas.
E, por isso, é possível reduzir drasticamente a diferença de renda sem tocar em quem não tenha pelo menos um jatinho fuleiro no aeroporto da cidade.
Bem, a primeira coisa que você deve saber sobre essa tese é que ela é falsa.
No Brasil, para se estar entre os 10% mais ricos basta ganhar mais de 5 mil por mês. E essa porcentagem da população, que tem uma média de renda de 6 mil reais mensais, concentra 50% das riquezas do país.
Ja para estar entre os 1% mais ricos basta ganhar mais de 27 mil por mês.
Ou seja, não, você não precisa ser o Tio Patinhas para estar entre os mais ricos do país.
Agora imagine o seguinte: Suponha que gente faça uma revolução, fuzilasse a burguesia e o escambau, e implantasse um regime comunista no Brasil
Agora imagine que esse regime decida distribuir igualmente toda a riqueza do Brasil. E conseguisse fazê-lo sem fuga de capital, sem crise, sem prejuizos, sem nada.
A renda per capita do Brasil é, wait for it, 750 dólares mensais! O que em 2018, o ano desse dado, equivalia a 3 mil reais mensais.
Ou seja, se você ganha um salario de "pobre" como 15 mil reais por mês você ja esta ganhando 5 vezes mais que o brasileiro ganharia em regime de igualdade. E 15 vezes mais que a média do que os 50% mais pobres ganham na realidade.
Triste, ne?
Mas, nem tudo esta perdido! Esses dados levam em conta a população total e não apenas a economicamente ativa.
O que significa que, se todos recebessem igual, um casal com dois filhos receberia 3 mil pra cada, ou seja, 12 mil reais mensais. O que é bem razoavel.
Então existe sim dinheiro suficiente para reduzir a pobreza. Porém, quem de fato esta acumulando essa grana?
Para responder isso é preciso entender a quem serve o discurso de "Se você não tem um jatinho, você é pobre".
E a resposta é: Funças
Sim, esse é mais um texto de liberal reclamando de salario de juíz. Aproveite essa pausa para escrever "É só fazer o concurso, invejoso" nos comentarios.
Lembra do PIB per capita? Ele também pode ser usado para comparar o quanto certas pessoas ganham em relação a riqueza total do país dividida por sua população.
Não entendeu? Vou dar um exemplo:
Nos EUA, um juíz federal ganha 210 mil dólares anuais. O que equivale a 338% do PIB per capita do país do Trump pelado. Ou seja, cerca 3 vezes mais.
Ja no Brasil, a média salarial de juízes é 40 mil reais, o que equivale a 1333% do PIB per capita. Ou seja, 13 vezes mais!
E quanto aos parlamentares?
Um senador americano ganha 174 mil dólares por ano, o que equivale a 280% do PIB per capita.
Ja no Brasil, um deputado ganha 33 mil reais por mês, o que equivale a 1100% do PIB per capita. Isso sem contar com os inúmeros auxílios e beneficios.
Só que, essa diferença não se aplica apenas a elite do funcionalismo público, mas também a algumas classes que todo mundo acha que ganham mal. Como policiais
Nos EUA, os "Cops" ganham uma média de 53 mil dólares por ano. Ou 85% do PIB per capita
Ja no Brasil um policial militar tem uma média de 4 mil reais por mês. Ou 133% do PIB per capita.
Pelo menos a diferença não é tanta.
E quantos aos professores? Bem, os estados que melhor pagam os professores são Maranhão e Mato-Grosso do sul, desembolsando cerca de 5500 reais por mês para cada. Ou 183% do PIB per capita
E os que estados que pagam os piores salarios são Acré, Para e Rio Grande do Sul. Onde o professor estadual ganha apenas 1500 reais por mês. Ou 50% do PIB per capita
Nos EUA, Nova York paga aos professores 130% do PIB per capita e Illinois paga 67%
Como podem ver, o problema realmente esta na elite do funcionalismo público. E não tanto nas castas mais baixas
Outro dado que reforça o problema dos funças é a desigualdade do sistema de previdência. Que é, wait for it, MAIOR do que a desigualdade brasileira.
E isso acontece porque para cada um real que o INSS da a um aposentado privado ele da 36 reais a um aposentado do governo.
Fica evidente então que, mais do que se preocupar com os bilionarios, é preciso reduzir os altíssimos salarios pagos pelo estado.
E isso não é muito difícil. Se a gente fizesse valer o teto constitucional de 39 mil reais ja economizariamos mais de 10 bilhões todo ano.
Só que, quando se fala disso, Brasilia enche de procurador e juiz protestando. E são eles os que mais gostam de falar que são "pobres" igual a gente.
No Brasil, rico sempre são os outros.
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2020.06.05 10:18 eusoulegal6 Rico sempre são os outros

"Ei, você que tem Hilux. Quando a gente critica os ricos, ninguém ta falando de você"
"Ai o cara ganha 15 mil por mês e vai votar achando que é rico"
"Você fala de taxar as grandes fortunas e o cara que tem uma BMWzinha pra la de velha acha que estamos falando dele"
No Brasil existe uma classe média alta que pensa que é rica. Mas na verdade, é pobre igual a todos nós.
Ou pelo menos é isso que a esquerda diz. Principalmente quando se fala em reduzir a desigualdade.
Essa tese diz que o problema no Brasil não é quem ganha 30, 40, até 50 mil por mês. Essas pessoas fazem parte da grande massa dos "pobres" enquanto a verdadeira elite dos multi-milionarios acumula todo o dinheiro e nos da migalhas.
E, por isso, é possível reduzir drasticamente a diferença de renda sem tocar em quem não tenha pelo menos um jatinho fuleiro no aeroporto da cidade.
Bem, a primeira coisa que você deve saber sobre essa tese é que ela é falsa.
No Brasil, para se estar entre os 10% mais ricos basta ganhar mais de 5 mil por mês. E essa porcentagem da população, que tem uma média de renda de 6 mil reais mensais, concentra 50% das riquezas do país.
Ja para estar entre os 1% mais ricos basta ganhar mais de 27 mil por mês.
Ou seja, não, você não precisa ser o Tio Patinhas para estar entre os mais ricos do país.
Agora imagine o seguinte: Suponha que gente faça uma revolução, fuzilasse a burguesia e o escambau, e implantasse um regime comunista no Brasil
Agora imagine que esse regime decida distribuir igualmente toda a riqueza do Brasil. E conseguisse fazê-lo sem fuga de capital, sem crise, sem prejuizos, sem nada.
A renda per capita do Brasil é, wait for it, 750 dólares mensais! O que em 2018, o ano desse dado, equivalia a 3 mil reais mensais.
Ou seja, se você ganha um salario de "pobre" como 15 mil reais por mês você ja esta ganhando 5 vezes mais que o brasileiro ganharia em regime de igualdade. E 15 vezes mais que a média do que os 50% mais pobres ganham na realidade.
Triste, ne?
Mas, nem tudo esta perdido! Esses dados levam em conta a população total e não apenas a economicamente ativa.
O que significa que, se todos recebessem igual, um casal com dois filhos receberia 3 mil pra cada, ou seja, 12 mil reais mensais. O que é bem razoavel.
Então existe sim dinheiro suficiente para reduzir a pobreza. Porém, quem de fato esta acumulando essa grana?
Para responder isso é preciso entender a quem serve o discurso de "Se você não tem um jatinho, você é pobre".
E a resposta é: Funças
Sim, esse é mais um texto de liberal reclamando de salario de juíz. Aproveite essa pausa para escrever "É só fazer o concurso, invejoso" nos comentarios.
Lembra do PIB per capita? Ele também pode ser usado para comparar o quanto certas pessoas ganham em relação a riqueza total do país dividida por sua população.
Não entendeu? Vou dar um exemplo:
Nos EUA, um juíz federal ganha 210 mil dólares anuais. O que equivale a 338% do PIB per capita do país do Trump pelado. Ou seja, cerca 3 vezes mais.
Ja no Brasil, a média salarial de juízes é 40 mil reais, o que equivale a 1333% do PIB per capita. Ou seja, 13 vezes mais!
E quanto aos parlamentares?
Um senador americano ganha 174 mil dólares por ano, o que equivale a 280% do PIB per capita.
Ja no Brasil, um deputado ganha 33 mil reais por mês, o que equivale a 1100% do PIB per capita. Isso sem contar com os inúmeros auxílios e beneficios.
Só que, essa diferença não se aplica apenas a elite do funcionalismo público, mas também a algumas classes que todo mundo acha que ganham mal. Como policiais
Nos EUA, os "Cops" ganham uma média de 53 mil dólares por ano. Ou 85% do PIB per capita
Ja no Brasil um policial militar tem uma média de 4 mil reais por mês. Ou 133% do PIB per capita.
Pelo menos a diferença não é tanta.
E quantos aos professores? Bem, os estados que melhor pagam os professores são Maranhão e Mato-Grosso do sul, desembolsando cerca de 5500 reais por mês para cada. Ou 183% do PIB per capita
E os que estados que pagam os piores salarios são Acré, Para e Rio Grande do Sul. Onde o professor estadual ganha apenas 1500 reais por mês. Ou 50% do PIB per capita
Nos EUA, Nova York paga aos professores 130% do PIB per capita e Illinois paga 67%
Como podem ver, o problema realmente esta na elite do funcionalismo público. E não tanto nas castas mais baixas
Outro dado que reforça o problema dos funças é a desigualdade do sistema de previdência. Que é, wait for it, MAIOR do que a desigualdade brasileira.
E isso acontece porque para cada um real que o INSS da a um aposentado privado ele da 36 reais a um aposentado do governo.
Fica evidente então que, mais do que se preocupar com os bilionarios, é preciso reduzir os altíssimos salarios pagos pelo estado.
E isso não é muito difícil. Se a gente fizesse valer o teto constitucional de 39 mil reais ja economizariamos mais de 10 bilhões todo ano.
Só que, quando se fala disso, Brasilia enche de procurador e juiz protestando. E são eles os que mais gostam de falar que são "pobres" igual a gente.
No Brasil, rico sempre são os outros.
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2020.06.01 01:00 whowillfixmenoww Gostaria de ser imortal

(aviso de post meramente depressivo)
A ideia da morte é uma coisa mt ruim, mt dolorosa e é a única certeza q eu tenho, vamos todos morrer, na pandemia ou nao, em um acidente tragico ou com alguma doença ou por pura velhice mesmo, alguns suicidas talvez... Mas todo mundo vai, rico, pobre, feio, bonito, etc... Etc... Todos vao eventualmente, isso me deprime, a agonia da dor, o sofrimento da perda, o fim da existencia, nada mais faz sentido, as pessoas nao se preocupam com isso parece, so quando estao velhas e frageis, dai elas se importam e tentam dar o melhor de si nos seus ultimos anos/meses de vida, vao pra igreja buscar perdao de algum deus, mimam seus netos, e percebem o quao doloroso é ficar só pq ngm tem paciencia ou tempo pra ficar lhe dando atenção, na fragilidade de moribundos em camas de hospitais é q percebemos o quao valoroso é a vida para tais pessoas, o que eu quero dizer na verdade é q, eu nao gostaria de morrer eu queria ser imortal, viver pra sempre, me causa ansiedade e um certo panico saber q vou morrer, saber q a cada dia q se passa meu corpo fica mais velho, faz vc pensar... Pra q tudo isso???? Qual o objetivo????? Talvez eu esteja perdendo a minha sanidade pensando nessas coisas, a vida tem mt sofrimento, mas morrer parece ser pior.
submitted by whowillfixmenoww to desabafos [link] [comments]


2020.05.18 07:11 amoragirl20 Eu almejo paz todos os dias.

Eu pensei bastante sobre escrever aqui, eu sou bastante reservada e a ideia de contar sobre algo da minha vida principalmente aqui parecia tão...mas acho que quando você começa a gritar, já não se importa quem vai escutar então lá vai.
Eu tenho um péssimo relacionamento com a minha mãe, tóxico, abusivo verbalmente e emocionalmente. Eu sempre me senti deslocada da minha família, como se eu nunca tivesse pertencido ali ou fosse adotada e demorei muitos anos pra enxergar o que realmente acontecia entre nós duas, o que não foi nada fácil pq a gente quer acreditar que essa mãe ruim que existe, existe lá fora nos filmes nas matérias do fantástico, mas não a nossa, que isso tudo acontecia por um momento em específico e que ela fazia sim coisas boas por mim, mas chegou um momento que não deu pra esconder a verdade, eu realmente acho que ela me odeia ou pelo menos desgosta de mim profundamente. Eu fui planejada, planejada pra consertar um casamento em ruínas, na tentativa de com o meu nascimento tudo iria se ajeitar e seríamos uma família de verdade, claro que nada disso aconteceu, piorou e com a separação dos meus pais em absolutamente qualquer chance que a minha mãe tem ela me compara com o meu pai, pra ela eu nasci com todos os defeitos dele, que sou igual a ele embora eu não tenha contato e o não veja há anos mas pra ela eu sou tudo de ruim que ele é, ela disse e em mais de uma ocasião que ela tem vergonha de ter me feito, vergonha de eu ter existido e que ela prefere a minha irmã mais velha, filha de outro casamento que nada mais é a Barbie humana: tem pós graduação, fez filhos lindos, tem um marido bom e principalmente rico, estão vivendo bem até demais pra uma quarentena, dormindo no horário certo e eu aqui, ouvindo coisas de uma senhora que só me maltrata. Eu sempre suspeitei que eu não fosse a filha favorita dela pq eu acredito que mãe sempre tem um filho favorito por mais que não admita e hoje eu tive essa confirmação da boca dela, da mesma boca que diz que eu sou um zero a esquerda por eu não estar na faculdade, por ser ingrata mesmo eu agradecendo por tudo que eu recebo, por não estar num emprego incrível e agora estou presa aqui com ela tendo que aturar quando ela surta, pq ela sempre surta, nosso relacionamento é uma bomba relógio nunca há paz não é questão de se mas sim quando nós vamos brigar e eu vou ouvir coisas extremamente pesadas que nem cabe aqui citar mais exemplos. Dói todas as vezes. E até quando eu não digo pra ninguém que dói, dói muito e até quando eu não digo que choro eu choro todas as vezes pq me questiono onde eu errei pra merecer isso, pra ser assim. Eu não tenho amigos eu tenho no máximo colegas, um punhado de erros cometidos dos quais eu não consigo me perdoar, uma irmã boa mas definitivamente nunca entende o meu lado sempre acha que não é bem assim a história, mesmo já tendo presenciado humilhação minha com a nossa mãe e um namorado que é a minha única companhia nesse planeta, mas ele jamais conseguiria entender tudo isso pq ele vive completamente o oposto da minha vida, ele surtaria se passasse por 1% do que eu já vivi e só esse ano, além do mais se terminarmos ele segue a vida e eu continuo aqui com a mesma "família", então a sensação que eu sinto é de absoluto solidão, tenho a saúde mental totalmente deteriorada, eu me odeio muito sofro todos os dias seja comigo mesma ou pela minha mãe, meu sono está completamente desregulado e ouço alfinetadas dela sobre isso, eu como pra saciar o extremo vazio e escuto piadas maldosas gordofóbicas e alfinetadas em forma de """"humor""' de minha mãe, mas ela jamais vai entender o que eu sinto pois não há espaço pro diálogo acredite, eu já tentei ao longo dos anos ela SEMPRE me diminui, nunca levada a sério ela só não diz o famoso "dorme que passa" mas passa uma mensagem semelhante. Talvez ninguém leia isso e tudo bem eu só precisava desabafar pq está cada vez mais difícil a cada ano que passa, parece que um pedaço do meu coração morre ao passar por cada coisinha, e sem ter independência financeira pra sair dessa e ela saber disso e GOSTAR afinal eu saindo de casa ela fica sozinha e não pode mais dizer que me sustenta, eu grito por ajuda mas isso nunca chegou.....E se por acaso alguém ler isso e tiver uma mãe realmente boa que te trata bem, que te encoraja e não te faça se sentir um(a) inútil e infeliz consigo mesmo, saiba que você é muito sortudo(a), muito mesmo pois não é fácil odiar o dia das mães todo ano pelo fato de que os outros tem e você não. Aliás, por sentir isso todos os dias.
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2020.05.11 13:43 Lumierh Que livro é esse?

Bem, primeiramente gostaria de falar que quando li esse livro, eu o li como uma adaptação em fanfic, o nome da fanfic era Love and redemption de uma conta com o nome de angelmiller, e não lembro se ela deu os creditos,( sei que deve ser de um livro pela forma que era escrita e principalmente por na adaptação ser um romance gay e em nenhum momento, pelo que lembro, falar sobre homessexualidade) mas em fim a fic sumiu do site e a conta dela tbm( então não consegui entrar em contato). Mas por fim, coisas que me lembro sobre: ( vou tratar o protagonista masculino passivo com A protagonista porque no livro original deve ser ela e não ele, sei que ele era a mulher no original tbm pela forma q tratavam ele)
Queria muito ajuda pra achar essa história pois é muito boa e queria muito reler. Obrigada desde já e perdão por minha explicação estar meio bagunçada.
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2020.04.13 17:41 Marcinhow Isso é depressão?

(Me desculpem o texto enorme)

Nos anos anteriores eu era um rapaz, cheio de sonhos e conquistas, me esforçando ao máximo a isso. Hoje sou um cara, chato, pessimista e desesperançoso
Meu histórico familiar não é muito bom em relação a isso (não tenho nenhum alcoolátra ou viciado em drogas), mas quase todo mundo da minha família materna toma antidepressivos ou calmantes.
Eu tinha meus sonhos de me libertar financeiramente, conheci uma ponte pra isso e tava me esforçando e estou até hoje. Mas eu ando percebendo que aquilo não tem muito significado, pois eu vi que mesmo se um dia ficasse rico eu não seria feliz, me via frustrado e com bens materiais. Para essa dura realidade, tentei uma fuga e conheci uma menina, eu errei em ter projetado toda minha felicidade nela mas ela era única coisa que me fazia sorrir, mesmo ela não me amando como eu amo ela. A gente tava em crise e terminamos ontem, mesmo eu me declarando pra ela.
Eu percebi que só consigo me sentir bem quando eu fujo da realidade sem esperança de felicidade que é a minha, quando fico alcoolizado me sinto leve tranquilo e sem pensamentos pertubadores (não sou covarde, já tentei enfrentar e resolver os problemas, mas sinceramente tá foda!). Os meus hobbies perderam o significado, não consigo mais jogar video game e não me sentir entediado. (sou muito bipolar)
Percebi que estou no fundo do bolso. Porque eu era um rapaz feliz, via no futuro felicidade e procurava sempre trazer sorrisos às pessoas próximas. Hoje faço faculdade, estou no 1º período era o curso que eu queria, eu até tô gostando, mas sinceramente eu não sei se eu amo o que eu faço e não sei nem o que eu amo. O único motivo que não busquei aquela velha saída, foi a minha mãe. Vivo criando expectativas felizes em minha mente o dia todo, mas no final sempre percebo que nunca vou ser feliz ou pelo menos um pouco menos triste.
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2020.03.16 20:34 Upa-upa-puxadote 15 Obras de Camilo Castelo Branco em epub

São 15 epubs. Alguns são romances, outros são peças de teatro.
«A caveira do Mártir» - Publicado em 1876, o romance “A Caveira da Mártir” foi um dos maiores sucessos comerciais da carreira literária de Camilo Castelo Branco, quando ainda era vivo e, tal como muitas das obras camilianas, é baseada em casos reais e históricos. Mas, ao contrário de outros romances, que seguem somente uma história linear, aqui é explorado um entrelaçado de histórias, interligadas pelas acções e domínio da Santa Inquisição na justiça portuguesa e da aplicação da pena capital.
«Mistérios de Lisboa» - Publicado num jornal portuense, em 1853. Enredo: Pedro é um órfão de 14 anos, aluno de um colégio católico. Na sua procura pela identidade dos seus pais vai conhecer a trágica história da vida de ambos. À sua volta, várias histórias, entrelaçadas e interligadas, que atravessam todo o século XIX sobre 40 diferentes personagens: amor, paixão, crime e adultério, onde cada um tem o seu papel no destino dos outros.
«A Queda de Um Anjo - Publicado em 1866, esta história sobre a corrupção moral é uma dos mais célebre romances satíricos de Camilo Castelo Branco e também um dos mais divertidos e cómicos. A temática da história é simples: o poder corrompe; e a ostentação, o adultério e a personalidade de “vira-casacas” são corolários dessa corrupção. Enredo: Calisto Elói, um morgado minhoto provinciano de elevados valores morais é convidado para ser deputado em Lisboa, acabando assim por se deixar corromper pelo luxo e pelo prazer que imperam na capital.
«O Judeu» - Publicado em 1866, a obra “O Judeu” de Camilo Castelo Branco é um romance histórico de homenagem àquele que se tornou na figura representativa dos milhares de judeus portugueses que morreram pela Inquisição entre 1540 e 1794, em Portugal. Enredo: História da vida trágica de António José da Silva, o mais famoso dramaturgo português do seu tempo que acabaria posteriormente por morrer na fogueira às mãos da Inquisição.
«O retrato de Ricardina» - A obra foi escrita em plena guerrilha literária, que opôs os escritores românticos da velha guarda, aos jovens estudantes de Coimbra, que defendiam um novo tipo de literatura na chamada “Questão Coimbrã”. Curiosamente, Camilo escreveu este romance com o intuito de parodiar os movimentos literários do Realismo e do Naturalismo, mas o resultado foi uma obra que faz um fresco da condição da mulher da época, com poucos direito e sem grandes liberdades. Enredo: Bernardo, um jovem humilde, que na infância era pastor e aprendiz de pintor, fica subitamente rico com uma herança que recebe. Após formar-se em Coimbra e voltar à sua terra, na freguesia de Espinho, apaixona-se pela bela Ricardina, filha do Abade da região, um homem poderoso, influente e vingativo que recusa que a filha se relacione com alguém das suas origens. Os dois fogem, sempre perseguidos pelos capangas do pai da rapariga.
«O Morgado de Fafe em Lisboa» - Peça de teatro. Enredo: O Barão e a Baronesa de Caçurrães querem casar a filha, extremamente pretenciosa, com um pretendente rico mas a rapariga não acha nenhum dos pretendentes dignos dela. No entanto quanto mais se descobre sobre a personalidade da mesma, mais se percebe que ela é que não é digna dos pretendentes.
«A Bruxa do Monte Córdova» - Publicada em 1867, esta novela Camiliana tem como pano de fundo a guerra civil que ocorreu entre 1831 e 1834, e opôs os defensores de D. Pedro I e da sua filha D. Maria II, liberais e constitucionalistas, aos defensores de D. Miguel I, os absolutistas e tradicionalistas. Mas a acção principal em si relata-nos uma história de amor trágico que define bem a época conturbada em que se vivia, falando principalmente da falta de carácter dos representantes da igreja, enquanto instituição, que incentivavam o fanatismo e o histerismo religiosos e davam azo a intrigas e convulsões sociais.*
«A Brasileira de Pranzins» - Enredo: Marta de Prazins, chamada de “A brasileira” pois está prometida, pelo pai, a um tio que fez fortuna no Brasil, apesar de ter José Dias como seu apaixonado.
«Amor de Perdição» -A mais popular obra de Camilo Castelo Branco, que lhe conferiu fama, popularidade e que o consagrou como um dos mais relevantes escritores românticos portugueses. Foi escrita, segundo o autor, em apenas 15 dias, no ano de 1861, enquanto esteve preso na cadeia da Relação, na cidade do Porto, por se ter envolvido num escândalo de adultério.
Enredo: Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, dois jovens enamorados de famílias rivais da cidade de Viseu do século XIX, mantêm um namoro proibido com consequências trágicas e mortais, não apenas para ambos mas também para aqueles que os rodeiam.
«Amor de Salvação» - Amor de Salvação, obra de Camilo Castelo Branco, publicada em 1863, é uma novela passional, considerada pela crítica uma das obras mais bem acabadas do autor. Enredo: Amor de Salvação conta a história da relação conturbada entre Afonso e Teodora, que tinham sido prometidos um ao outro, desde o momento que nasceram.
«Coração, Cabeça e Coração» - Romance que conta a história de Silvestre da Silva, em três grandes fases da sua vida. Uma primeira em que ele dedica os seus amores e às “coisas do coração”, às quais ele depois diz ser uma “tolice brava”; a uma segunda fase ao “intelecto” e. finalmente a uma terceira em que afirma render-se aos apelos do estômago até morrer.
«Onde está a Felicidade» - Publicado em 1856, o romance Onde Está a Felicidade? é um retrato fiel da sociedade da época, caracterizada pela importância do dinheiro e do estatuto como forma de promoção social. Trata-se de um romance onde impera a crítica à sociedade, representada pelas figuras de Guilherme do Amaral, que simboliza a riqueza, e de Augusta, que personifica a população de parcos recursos. Enredo: A história da busca da felicidade por parte de Guilherme e Augusta. Ambos apaixonam-se e tornam-se amantes, no entanto, Guilherme abandona a jovem, seduzido pela beleza de uma prima sua e Augusta irá perceber que a felicidade não é fácil de encontrar
«A doida do Candal» - Enredo: Quando Simão Peixoto ameaça a sua irmã Lúcia com o convento para que possa ficar com as heranças que por direito são dela, esta pede ajuda ao seu primo Marcos Freire. Com ajuda de José Osório este consegue retirá-la para casa de umas parentes. Furioso, Simão quer vingança, e tanto provoca Marcos que acaba por se bater em duelo com ele, matando-o. Quando a notícia chega a Maria da Nazaré, com quem Marcos tem um filho, esta enlouquece, ficando conhecida como a doida do Candal.
«O Lobisomem» - Peça de Teatro = Enredo: Uma aldeia localizada nas serras de entre Douro e Minho vive assombrada com as aparições de um lobisomem que ronda as imediações da povoação. Entre o medo e o mistério, resta ao povo tentar descobrir a quem dos vizinhos recaiu tamanha maldição.
«A Sereia» - Uma novela de Camilo muito popular no tempo da sua publicação mas que acabou por ser relegada para o esquecimento dentro da vasta lista de obras camilianas. Enredo: A trágica história de Joaquina Eduarda, cantora de palco a quem chamavam “A Sereia”.
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2020.03.15 16:11 jup1t3r5 Tou construindo essa história sem título ainda esse é o texto 1 ainda vai sair pelo menos +1

Miséria, tudo que me restou foi só a pura e devastadora miséria, se meu pai estivesse vivo hoje morreria. Nossa mercadoria, nossos serventes, nossos escravos, nossa riqueza, Tudo aquilo que meu pai trabalhou a vida inteira para ter, tudo acabado só por causa de uma princesinha que precisa de ajuda até para limpar o cu; está tudo acabado. Não faz nem duas semanas que a droga da lei aurea foi assinada, Não faz nem um mês que meu pai morreu . Os escravos fugindo da Fazenda a galope levando toda minha riqueza minha garantia meu tudo. Quem esses seres repugnantes pensam que são? Eu achava que nossa superioridade era garantida e agora eles vem com essas histórias de igualdade? Oque me restou ? Por que ninguém pensou nisso? Só de pensar que a negrinhos mais ricos que eu me sobe a ah; que se dane não adianta de nada agora só tenho poucas economias , uma plantação já perdida de café e lágrimas puras, frias e simples lágrimas. Enquanto me olho no espelho e reflito sobre oque fazer, me vem à cabeça uma memória, uma divida uma divida que nunca foi paga, uma divida que nunca pensei que iria cobrar, enquanto desço a um lugar, a o fundo do poço mais fundo me rebaixo num nível que nunca pensei que iria chegar. Enquanto desço a cidade e pouco a pouco chego na parte mais pobre não paro de vê-los ver aqueles que um dia já subjulguei, ainda estão a comemorar , mas isso não importa, não importa mais por que eu cheguei ao meu destino. - Bom dia minha graciosa tia como a senhora está? - já faz mais de 3 anos que não o vejo meu caro sobrinho E hoje vois mice vem atrás de mim? Você pensa que eu sou besta é perdeu tudinho já aposto! -Disse amelia- com um sorriso no rosto tão reluzente que quando o sol batia quase cegava a vista! - minha cara tia pensei que família fosse para essas horas, as horas de calamidade, as horas de angústia nas quais eu necessito de apoio -disse tadeu- - você quer apoio por que é tão frangote que não é capaz de carregar nenhum tijolo quanto mais arrumar um emprego braçal e é muito anta para conseguir um emprego de contador ou banqueiro, se vois mice acha que eu vou sustentar sobrinho vagabundo Tá muito enganado meu filho -disse amelia- - mas tia a senhora viveu na casa de meu pai anos e anos e seu esposo não contribuiu e nem ajudou em nada. -disse tadeu- agora com uma expressão seria de quase julgamento. - Minha dívida era com seu pai, uma divida que nunca foi cobrada, para falar a verdade seu pai ignorou minha existência depois disso, nem no enterro de meu marido, que Deus o tenha, ele não foi por que vois mice acha que eu o deveria ajudar ? Não me venha com sentimentalismos baratos nem com histórias de dívidas, minha dívida morreu com seu pai E se vois mice não tem mais nada para falar pvf Se retire . -disse amelia- mudando seu sorriso de deboche para uma expressão quase assassina. - tia olhe no fundo de seu coração... naquele momento onde aquela velha bruxa bateu a porta na minha cara eu soube , eu soube não eu tive a total certeza de que estava sozinho. Se nem a irmã de meu pai me ajudaria quem o faria? Logo não soube oque fazer e as lágrimas me sobrevieram, enquanto chorava amargamente a caminho de casa uma jovem de cor se aproximou de mim, com um sorriso na cara e segurando algo atrás de suas costas, só para rir de minha cara e perguntar onde está minha riqueza, meus escravos, minhas mulheres, meu álcool e isso só me fez chorar e chorar cada vez mais, enquanto me afundava num poço de melancolia, percebi que pela primeira vez em minha vida não importava a raça ou a estipe da pessoa, aquelas palavras perfuraram meu coração como facas e quando dei por mim mesmo estava chorando no ombro de uma negra no meio da rua, olho para sua cara e reconheço aquele rosto aquela expressão de ódio, se tratava de uma antiga escrava, antes violentada por mim mesmo, e enquanto ela tirava a mão que antes ocultada atrás das costas e revela uma faca, e enquanto perfurava minha pele com aquele sorriso assassino quase perturbador e as lágrimas me escorriam o rosto, me apeguei a última coisa que me restou, a solidão a solidão de estar morrendo sozinho, a solidão de não ter mais nada, e perder a única coisa que me restava, a vida.
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2020.02.23 02:12 alissonkalel Alerta: você pode estar consumindo quase o dobro de sal do que deveria

Uma pitadinha de sal é capaz de realçar o sabor de qualquer alimento, até mesmo os doces. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, produzido pelo Ministério da Saúde, o sal é um exemplo de produto alimentício fabricado pela indústria e extraído da própria natureza. Sendo um dos temperos mais básicos e antigos da culinária, seu papel principal é tornar a preparação mais saborosa e agradável ao paladar.
Do mocinho ao vilão, o sal precisa ser utilizado com moderação para que essa relação seja benéfica. Na medida certa, ele é capaz de garantir deliciosas refeições. Enquanto que o excesso pode causar diversos problemas de saúde, como insuficiência renal, acidentes vasculares cerebrais (AVC, ou derrame) e hipertensão.
É justamente sobre o consumo de sal por parte da população brasileira que trata um estudo inédito feito pela Pesquisa Nacional de Saúde, em 2013 e 2014, e conduzida pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Os dados foram obtidos a partir de análises biológicas (sangue e urina) extraídas de 9 mil brasileiros. Segundo os resultados desses exames laboratoriais, os brasileiros consomem, em média, 9,34 gramas de sal por dia. Valores que correspondem a quase o dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 5 gramas.
O estudo mostrou ainda homens e jovens estão entre os que mais consomem sal, mas apesar desse destaque, o consumo é elevado de forma generalizada na população brasileira, abrangendo todas as faixas etárias e níveis de escolaridade.

O risco de uma pitada extra

A pesquisadora da Fiocruz e coordenadora técnica da pesquisa, Célia Landmann Szwarcwald, reforça que o consumo excessivo de sal é um dos indicadores mais preocupantes, visto que ele está associado à hipertensão, causa direta e indireta de várias outras doenças crônicas, como as cardiovasculares e renais.
A redução do sal na alimentação tem potencial para diminuir uma grande fração de mortes prematuras e aumentar, consideravelmente, a expectativa de vida saudável na população brasileira, explica Célia.

Xô, ultraprocessados!

Salsicha, biscoito, chocolate, macarrão instantâneo, salgadinho chips, refrigerante: alimentos ultraprocessados são cheios de cores e sabores que os tornam super atraentes. Mas saiba que é bem essa a intenção da indústria alimentícia! Segundo o Guia Alimentar, é comum que os ultraprocessados apresentem alto teor de sódio, por conta da adição de grandes quantidades de sal, necessárias para estender a duração dos produtos e intensificar o sabor, ou mesmo para encobrir sabores indesejáveis oriundos de aditivos ou de substâncias geradas pelas técnicas envolvidas no ultraprocessamento.
Além do sódio, eles muitas vezes são ricos em açúcares, gorduras e calorias. O problema é: esses produtos são hiperpalatáveis, ou seja, extremamente saborosos e capazes de “viciar”. O formato em que eles são comercializados também é um problema, pois reduz nossa percepção da quantidade consumida, o que favorece a ingestão excessiva e consequentemente o desenvolvimento de doenças como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.

Prefira opções caseiras!

As preparações caseiras são sempre a melhor saída! Além de garantir a origem do produto, você está consumido algo in natura ou minimamente processado. No caso dos temperos não seria diferente. Então dá só uma olhada nessas sugestões:

E reveja seus hábitos

Evitar adicionar sal às comidas prontas, tirar o saleiro da mesa, medir a quantidade de sal com uma colher de chá ao invés de acrescentar pitadas a olho nu, estar atento aos rótulos dos alimentos, descascar mais e desembalar menos são exemplos de pequenas atitudes que, incorporadas aos seus hábitos, podem reduzir significativamente seu consumo de sal. Adote!
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2020.02.07 15:03 hazzeFox Será que a vida é tão difícil assim?

Primeiro de tudo, não sei se esse é o lugar ideal pra postar esse tipo de coisa, mas vamos lá.
Tenho 21 anos e nunca trabalhei na minha vida. Não que eu seja rico (ou filho de rico), bem longe disso. Pelo contrário, moro só com a minha mãe, que ganha exatamente 2 salários mínimos, e segundo ela, nunca sobra dinheiro pra quase nada além das contas.
Sofro de depressão profunda, TOC, e meu antigo terapeuta suspeitava de Borderline. Pra mim é EXTREMAMENTE difícil lidar com as minhas emoções (mesmo com o remédio anti-depressivo que eu tomo) e principalmente, com outras pessoas. Sei que sou capaz de muita coisa, e prova disso é que estou indo pro meu segundo ano de faculdade (Ciências da Computação), onde consegui bolsa integral em 1º lugar no vestibular (desculpa se parecer que estou me "gabando" ou algo assim, não é a intenção). Também fiz dois outros cursos técnicos antes de entrar para a faculdade, que foram de Informática e Comunicação Visual, então de certa forma tenho um bom conhecimento pra poder me inserir no mercado de trabalho (eu acho). Ah, acho que também posso considerar meu inglês como avançado, espero eu.
A questão é que simplesmente sinto que não consigo... E pra ser sincero, a única coisa que fiz TODOS OS DIAS em 2019, era dormir até as 4 horas da tarde, acordar, comer, ir pra faculdade (na pressa), chegar da faculdade, e jogar no computador até as 7 da manhã, que é a hora que vou dormir. Me sinto um fracasso como pessoa, como se eu não passasse de um preguiçoso, ou alguém que simplesmente não ama a vida o suficiente.
Sempre fui uma pessoa muito sensível (emocionalmente) desde criança, e tenho alguns traumas que eu realmente não quero falar aqui, assim como já fui abusado emocionalmente de várias formas, por pessoas que deveriam me amar ao invés de me tratarem desse jeito.
Eu sei que não tenho muito do que reclamar, afinal, tenho uma casa, uma mãe que me ama e acredita em mim, comida na mesa, e inclusive algumas coisas supérfluas como um computador gamer (que consegui comprar usado e com meu dinheiro fazendo bicos e mais bicos).
A questão é que eu não sei aonde estou indo parar... não saio de casa, durmo o dia todo, e basicamente vivo de sonhos... sonho de que um dia eu vá poder ser um artista, e expressar todo esse emaranhado de emoções que tenho, principalmente em música, que é minha paixão e é algo que guardo no coração desde que me conheço por gente... porém eu simplesmente não faço NADA pra chegar aonde eu quero, e às vezes sinto como se tivesse algo dentro de mim tentando me matar de alguma forma. Eu só quero viver, e poder ajudar as pessoas ao meu redor, e ser feliz do meu próprio jeito, porém pra mim é uma batalha constante, e na maioria dos dias eu sinto que estou perdendo. Sinto como se a vida estivesse passando, e eu fosse um mero observador, olhando pra tudo e todos ao meu redor que estão realmente vivendo, enquanto que eu fico parado sem sair do lugar. Minhas coisas estão ficando velhas, minha mãe está ficando cansada, meus pertences estão estragando, e eu sinto como se a vida já tivesse acabado antes mesmo de começar...
De qualquer forma, obrigado pra quem leu até o final. Eu nem sei o motivo de eu estar escrevendo isso, talvez seja um pedido de ajuda. Enfim, sou ruim com conclusões, então encerro meu post aqui.
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2020.01.20 04:44 MinistroPauloCats Uma breve história da nova direita


Meses atrás fiz um esforço por aqui de rascunhar um pouco das origens da nova direita. Como participei involuntariamente de sua pré-história, sendo observador em certa medida privilegiado, e como não via ninguém parecendo interessado em contar essa história direito, tentando entender como que aquilo deu nisso, decidi ao menos relatar o que testemunhei, esperando que outros, tendo vivido mais e melhor desse processo, também fizessem o mesmo.

Com imensa alegria li nesta semana o relato de Lucas Mafaldo , doutor em Filosofia pela UFRN e pós-doutorando na Universidade de Ottawa, no Canadá, publicado em seu perfil pessoal no twitter, fazendo um registro dessa história conforme a viveu e a compreende. Para minha sorte, foi justamente o pedaço da história que não conhecia de perto, sobre o movimento liberal. Com sua permissão, trago seu relato para cá, acrescentando àquelas colunas um pouco mais dessa história e na semana que vem publico uma breve entrevista com o autor:

Uma história oral da nova direita

Embora o governo Bolsonaro esteja prestes a completar seu primeiro ano, eu ainda estou espantado com a rapidez do crescimento da nova direita. Há apenas alguns anos, a direita brasileira consistia em apenas um punhado de políticos e uma dezena de iniciativas pulverizadas. Hoje ela está no centro do debate público brasileiro.

Infelizmente, um efeito colateral desse rápido crescimento é que essas transformações ainda não puseram ser digeridas pela consciência nacional. Por isso, boa parte das disputas supostamente ideológicas da atualidade são apenas variações retóricas que misturam disputa por protagonismo pessoal e confusões conceituais.

Para ajudar a enxergar o cenário atual com um pouco mais de clareza, decidi contribuir com o esforço do Franscisco Escorsim em rastrear a história desse movimento. Eu tive o privilégio de poder testemunhar diretamente alguns dos capítulos dessa história e de ter sido próximo de alguns dos seus protagonistas. Escrevi as anotações seguintes para compartilhar algumas intuições que tive sobre esse processo – e, é claro, para incentivar os outros a contarem seus pedaços da história, para ampliarmos a nossa visão do conjunto.

Fase argumentativa (2004-2008)

Como o @ FEscorsim conta na ótima série dele para a Gazeta do Povo, a coisa toda começou com um punhado de blogs interessados em cultura. A "nova direita" começa com um punhado de autores que não apenas não tinham um agenda política em comum, como muitos não tinham, aliás, agenda política alguma.

O próprio termo "direita" seria um pouco forçado. No fundo, tratava-se de um grupo de intelectuais interessados em ideias que fugiam ao consenso da época. A única coisa que os unia era que, cada um a seu modo, eram todos não-petistas. Era o bloco dos "desalinhados", isto é, dos "intelectuais não-orgânicos".

Com o tempo, no entanto, esse bloco foi progressivamente dialogando, saindo da internet, se encontrando no "mundo real" e criando uma série de iniciativas concretas. E foram também surgindo as divergências – algumas pessoais, outras ideológicas, e não raro uma mistura das duas.

Exceto nas ocasionais tretas públicas, as divergências pessoais geralmente ficavam implícitas, já que pega mal ser ambicioso demais. Fica melhor na fita dizer que você está atacando alguém por representar valores superiores ao seu adversário – em vez de simplesmente querer tomar o holofote dele. É justamente aí que começa o que chamo de "inflação ideológica".

Cria-se um disfarce teórico para o que é meramente disputa de espaços e as pessoas começam a ver teoria onde não existe. Além da "inflação ideológica", outro fator é o gosto brasileiro por discussões abstratas. Creio ser possível falar em fase germinal da nova direita, entre 2005 e 2008, quando essa combinação gerou uma espécie de furor argumentativo.

Em listas de e-mails e comunidades do Orkut, multiplicavam-se os debates internos da "novíssima direita" – e forjavam-se, aliás, muitos dos formadores de opinião que atualmente estão em destaque. Fica melhor na fita dizer que você está atacando alguém por representar valores superiores ao seu adversário – em vez de simplesmente querer tomar o holofote dele

Fase institucionalizante (2008-2014)

A partir de 2008, começou um esforço mais sério em institucionalizar as ideias que estavam em circulação na "fase argumentativa". Creio que é nessa época que a prequel termina e a "nova direita" realmente começa. Creio também que essa etapa é muito mal-compreendida: embora houvesse um enorme quebra-pau ideológico, havia também uma espécie de unidade sociológica difícil de explicar.

Todo mundo parecia acreditar e defender coisas diferentes, mas todos estavam participando das mesmas discussões e indo para os mesmos eventos. Foi nessa época, aliás, que eu me retirei como agente dessa história para me concentrar na carreira acadêmica. Antes disso, no entanto, participei – e até criei – alguns dos grandes momentos dessa fase "ecumênica". Por exemplo, em 2008, eu tive a ideia do "Liberdade na Estrada", uma série de palestras feitas nas universidades de todo o país.

A ideia foi comprada pelo Ordem Livre (na época, tocados por @ dgrcosta, @ BrunoGarschagen e @ FabioOstermann, se não me falha a memória) e gerou um evento de lideranças do qual participaram figuras como @ ASachsida, @ silviogrimaldo, Hélio Beltrão e o Ministro @ sallesmma. Em suma, figuras que hoje são destacadas como lideranças de diferentes grupos da nova direita estavam participando das mesmas iniciativas.

Esse evento, aliás, tacou fogo em uma nova geração da nova direita. Pessoas que nunca tinham ouvido falar dos blogs da primeira geração estavam agora sendo expostas às ideias e argumentos que foram gestados naquele período. Além disso, o movimento mostrou que essa nova geração não estava isolada. Havia o potencial claro para novas iniciativas de alcance nacional. Porém, o ecumenismo do início dessa fase "institucionalizante" (o período, digamos, de 2008 a 2014), já trazia em germe todas as tretas que têm ocupado a nova direita. Foi aí que comecei a perceber o que eu chamo de "inflação ideológica", isto é, colocar teoria demais onde não precisava. No fundo, a batalha entre "jacobinos" e "isentões" já tinha começado.

Um exemplo de "inflação ideológica", por exemplo, foi a popularização da distinção entre conservadores e liberais, segundo a qual os primeiros defenderiam a liberdade apenas na economia, enquanto os outros defenderiam a liberdade em todas as instâncias, incluindo tanto a economia como os costumes.

Como expliquei em outras ocasiões, essa distinção não faz o menor sentido. Ela substitui os argumentos dos conservadores da nova direita por uma versão caricata, mais fácil de criticar. Essa caracterização do liberalismo consiste, na verdade, em uma elaborada "petição de princípio". Ela descreve todas as posições políticas em termos de contra ou a favor da liberdade – o que garante de saída a vitória do argumento liberal. Afinal, sendo a liberdade um valor essencialmente positivo, não faz o menor sentido alguém se posicionar contra a liberdade em si mesmo.

Essa vitória, no entanto, vem apenas de um truque retórico, o qual fica evidente quando mudamos os termos da equação. Se alguém definir, por exemplo, o socialismo como a defesa dos pobres e o capitalismo como a defesa dos ricos, ele irá vencer o restante do debate. A questão que fica sem discussão, no entanto, é se essa descrição realmente é coerente com a posição do adversário ou é uma mera caricatura dele.

Esse tipo de simplificação conceitual se tornou uma marca do "período institucionalizante" da nova direita. Cada nova organização precisava encontrar uma filosofia que justificasse sua existência diante das outras. No entanto, o movimento ainda era pequeno demais para se separar em grupos realmente independentes. Muitos dos "quadros" ainda eram jovens e suas posições ainda estavam evoluindo com muita rapidez. Na época, era frequente o comentário nesses meios de que levaria décadas para que essas ideias conseguissem penetrar no restante da sociedade. Estávamos redondamente enganados.

A fase política (2014 - agora)

Depois dos protestos de 2013 e da reeleição apertada de Dilma em 2014, ficou óbvio algo que Olavo de Carvalho estava avisando há anos: o povo brasileiro queria uma opção à direita. A nova direita, no entanto, ainda não tinha quadros preparados e agenda programática clara. Ela não tinha nem unidade ideológica nem uma conexão orgânica com a velha direita.

Dilma, porém, ofereceu uma solução temporária para esse problema: sua impopularidade ampliou enormemente a "demanda" por direitismo – mesmo que o direitismo em oferta ainda estivesse muito verde. Percebendo essa oportunidade, o fluxo de pessoas entrando na nova direita aumentou enormemente – multiplicaram-se tanto o público quanto os formadores de opinião e as iniciativas institucionais.

Houve, então, um breve interstício nas disputas ideológicas. O PT oferecia um inimigo comum, pacificando temporariamente as divergências. Mas, assim que o PT caiu, as tretas recomeçaram. Muitas dessas divergências superficiais ressurgiram logo em seguida.

A divergência mais enganadora foi justamente a rígida divisão entre liberais e conservadores. Os termos em inglês possuem sentidos bem diferente, onde "liberal" deveria ser, na verdade, traduzido por "progressista". Mas a base do movimento liberal brasileiro não é progressista. O progressismo no sentido "anglo" não é exatamente individualista nem pró-mercado. Embora seja possível estabelecer alguma conexão entre ele e o liberalismo clássico, eles crescem em contextos culturais totalmente distintos, com objetivos políticos diferentes.

O liberalismo brasileiro cresceu sob um Estado pesado e em oposição ao discurso socialista. Além disso, o povo brasileiro nunca ligou para o discurso politicamente correto. Logo, o liberalismo nacional nasce com uma missão desburocratizante, descompromissado com as bandeiras da esquerda socialista. Os progressistas norte-americanos, ao contrário, emergem de uma sociedade com uma economia de mercado desenvolvida, com o objetivo de expandir a intervenção do Estado para as áreas sociais e culturais.

Novamente: são dois movimentos com prioridades bem distintas, apenas com similaridade de nomes. A vacuidade da distinção entre "conservadores" e "liberais" no Brasil se revela justamente no governo Bolsonaro. Na época da campanha, o Livres assumiu a bandeira "left-lib", tentando aumentar a identificação entre liberalismo e progressismo. Eles terminaram sem conseguir representatividade suficiente para controlar o partido e foram derrotados – mostrando a pouca força do progressismo no Brasil.

Além disso, muitos dos quadros liberais estão agora trabalhando dentro do governo Bolsonaro – mostrando que não há incompatibilidade entre o liberalismo brasileiro e os conservadores. Em outras palavras, embora houvesse algumas distinções ideológicas importante, podemos ver que na fase política da nova direita, o velho problema continua: continua-se exagerando as divisões ideológicas para esconder o que é mera disputa por espaço e por cargos. Parece haver mais diferença entre personalidades e estilo de comunicação do que entre programas políticos. Algumas últimas considerações

Todos esses eventos ainda são recentes demais para que possamos compreendê-los profundamente. Porém, sinto que a qualidade do debate está diminuindo, pois estávamos vendo cada mais a emergência de termos mais concretos. Termos como "isentões", "redpilados" e "jacobinos", por exemplo, indicam características mais específicas em termos de estratégia, personalidade e pertencimento a grupos. Portanto, eles tornam mais transparentes as "tribos" por trás do debate, deixando mais claro as divergências programáticas e/ou estratégicas. Fica mais honesto, portanto, do que esconder todas essa dinâmicas por trás de rótulos ideológicos.

Embora discussões ideológicas sejam importantes, elas são abstratas demais para explicar todas as dinâmicas que ocorrem em uma sociedade sociedade. Não é, afinal, "a direita" que assume a Presidência, mas uma pessoa concreta. É perfeitamente possível que fulano e sicrano partilhem dos mesmos princípios gerais, enquanto discordam dos meios concretos de executar esses princípios.

Tenho notado que, nos últimos anos, parece haver cada vez menos interesse em criar institutos e organizações. A própria dinâmica das redes sociais incentiva a falar em nome próprio. Creio que essa é uma ótima oportunidade para diminuir o peso das abstrações ideológicas e aumentar a importância da responsabilidade pessoal em nossa cultura.


FONTES: Arial 12pt, 220v 5A



https://www.gazetadopovo.com.bvozes/francisco-escorsim/uma-historia-oral-da-nova-direita-por-lucas-mafaldo/
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2019.11.20 02:02 camillohenrique O Manual secreto da Sugar Baby ​

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Introdução

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  • O que é uma sugar babby
  • O que é um sugar daddy
  • Da pobreza para riqueza - A história de uma Sugar Baby

Módulo 1

  • Você poderia ser uma Sugar Baby?
  • Tudo sobre Sugar Baby
  • Uma história sobre Sugar Babies ao longo da história
  • A Sugar Baby moderna e o Relacionamento Sugar hoje em dia
  • Por que ser uma Sugar Baby?
  • ​O que você pode conseguir se for uma Sugar Baby?
  • Por que não ser uma Sugar Baby?
  • etc...

Módulo 2

  • Tornando-se uma Sugar Baby
  • Criando um Personagem, seu avatar
  • Criando seu perfil
  • Como ser uma Sugar Baby bem sucedida
  • A arma secreta da Sugar Baby
  • etc..

Módulo 3

  • Estágios de Vida de uma Sugar Baby
  • Sugar Baby Quando você tem + de 18
  • Sugar Baby em seus 20 anos
  • Sugar Baby em seus 30 anos
  • Sugar Baby em seus 40 anos ... e além
  • Uma nota especial para sugar babies mais velhas
  • etc..

Módulo 4

  • Sugar Daddies
  • Os 3 principais tipos de Sugar Daddies
  • Sugar Daddy Tipo # 1:
  • Sugar Daddy Tipo # 2:
  • Sugar Daddy Tipo # 3:
  • Homens casados no relacionamento sugar
  • Por que os homens casados pensam em ter uma Sugar Baby
  • Homens divorciados no relacionamento sugar
  • Porque um homem se torna Sugar Daddy?
  • O que os Sugar Daddies tem para oferecer!
  • etc...

Módulo 5

  • Como encontrar um Sugar Daddy em pessoa
  • Onde encontrar homens bem de vida financeiramente
  • Como se aproximar de um Sugar Daddy
  • etc...

Módulo 6

  • Como encontrar um Sugar Daddy on-line
  • Encontrando Sugar Daddies Online
  • Telefonemas
  • Seu primeiro encontro
  • Quando o Sugar Daddy não te dá o dados de contato
  • etc...

Módulo 7

  • Dinheiro e a Sugar Baby
  • Como Pedir Dinheiro para o Sugar Daddy
  • Não peça nada e você receberá nada!
  • Sugar Daddies que só dão presentes
  • Como conseguir um aumento
  • Como conseguir dinheiro para investimento
  • Quando seu Sugar Daddy diz não
  • Quando seu Sugar Daddy quer fazer verificação de despesas
  • etc...

Módulo 8

  • A Segurança da Sugar Baby
  • Sua segurança pessoal
  • Mantendo sua privacidade
  • Sua primeira vez juntos
  • etc...

Módulo 9

  • Mantendo seu relacionamento sugar
  • A regra número 1 de ser uma Sugar Baby
  • Mantendo-o estimulado e não da maneira que você pensa!
  • Mantendo-o estimulado e não da maneira que você pensa!
  • As belas artes da conversação
  • Sua aparência
  • Viajando Com Seu Sugar Daddy
  • Mantendo seu poder dinâmico
  • etc...

Módulo 10

  • Exclusividade?
  • Exclusividade com seu Sugar Daddy?
  • Como ter Vários Sugar Daddies
  • Viver na mesma cidade que o seu´s Sugar Daddy´s?
  • Casando com seu Sugar Daddy, sua segurança jurídica

Módulo 11

  • Problemas da Sugar Baby
  • Quando seu Sugar Daddy é egoísta, narcisista ou exigente
  • No armário - A sugar baby deve deveria sair ou não do armario?
  • Evitando o Stress
  • O Imposto de renda
  • etc...

Módulo 12

  • Como sair do negócio de Sugar Baby no tempo certo
  • Você não está ficando mais jovem
  • Quanto é o suficiente $$$ ?
  • Fazendo um plano de saída do relacionamento sugar
  • Abandonando seu Sugar Daddy
  • Quando seu sugar daddy te abandona
  • etc...

Conclusão

  • Agora que você terminou este curso, você deve ter uma boa visão do que significa ser uma Sugar Baby
  • etc...

Perguntas frequentes

  • Posso ser uma Sugar Baby se for gorda?
  • Eu preciso de implantes?
  • Preciso me depilar?
  • Eu posso ter uma Sugar Baby tiver tatuagens e piercings?
  • Eu preciso me bronzear?
  • E se eu estiver criando um perfil on-line e tiver tatuagens, piercings ou marcas de nascença grandes, como posso evitar ser reconhecida por familiares ou amigos fora do mundo sugar?
  • Quão reveladoras devem ser as fotos no meu perfil online?
  • E se ele está tendo mais de uma Sugar Baby de cada vez?
  • E se meu Daddy parou de me dar dinheiro, mas ainda insiste em se encontrar comigo?
  • https://manualsecretodasugarbaby.com/
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2019.11.11 16:29 ketetinha % de Impostos

Pq a galera mais da “esquerda” sempre apresenta a mesma proposta de “aumentar impostos sobre ricos e grandes heranças” além de “cortar privilégios do alto escalão”? É um “chover no molhado”. Mesmas velhas ideias que não foram implementadas e, durante a fala, não explicam como tornar real tais ideias. Ainda, não explicam qual a chance de dar certo e como deveria ser feito (ex: para quanto a % de impostos deveria ir). Tomando a ideia simples da Curva de Laffer como base de discussão, o aumento de impostos sobre ricos adiantaria algo? Existe algum estudo que comprove que melhora da maneira proposta por essas pessoas “especialistas das interwebs”?
Obs: já li uma matéria da Bloomberg de que + impostos = - arrecadação e que os ricos fugiam com seu dinheiro para outros lugares, mas não consegui achar a matéria depois de poucas buscas na internet.
Obs2: para mim não faz sentido aumentar mais os impostos. Existe justificativa real e fundamentada pra isso?
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2019.10.30 11:09 RemusBr Ronaldinho aprontando mais outra?

Acho que é notícia velha, mas além daquela pirâmide de relógios, ele entrou numa outra empreitada para garantir que você fique rico rápido e fácil:
https://portuguese.lblv.com/
Curiosamente, a plataforma está nas ilhas Seychelles. Qualquer problema é só ir lá e achar uma sala vazia.
Endereço profissional: Suite C, Palm Street, Victoria, Mahe, Seychelles.
Bônus:
http://www.cvm.gov.bnoticias/arquivos/2019/20190722-1.html
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2019.09.05 02:26 readyfortheplague Fandango eufemista

Agora espera pra ver isso no meio da praça
livro fedido a naftalina junto a roupa e tropa da traça
lançado sobre o seu selo em discórdia avarenta
mais do que nesse número de página aparenta
seja verdade inteira ! se for só metade é desgraça
olha só de novo o batalhão vindo aramado de graça
tinha outra coisa pra dizer nesse momento
muito mais do que aparento
vai ver !
que do fogo nada resta sem a água da chuva intensa
quando disso não repara o garapé da rua imensa
olha só ! mais do que olho quando cai a folha em cima da grama
que passa muito mais além e vê mais do que você além da trama
de recurso no pulso fendido ao torcido acaso
num pulso finito sobre o tão lustrado grão do atraso
feito da coisa morna pretendida a pulseira inteira
pra quem se joga do abismo ou se senta só na beira
vaidade é verdade de quem espelho se espera o dia que subia
quando não vai dizer que além disso tinha muito mais que sabia
e vai ler ! antes de parar cansando nas costas
redirecionar a ficha pra parar na mesa de apostas
e trancado no pranto eterno soberba não é pecado capital tão grave
e de pecado quem entende sobre a própria sombra antes que ela se trave
e a parede chame seu nome ! quando se perde um anel de ouro e se arremessa
aquela velha lorota que mais parece medo que vem vindo em forma de promessa
olha lá ! o olho de novo ! perdendo mais do que orgulho
desse que todo mundo faz questão de dar mergulho
pra depois dizer que não fez nada além de obrigação
obrigado ! aparece e aperta a mão do terceiro
chama o inimigo de parceiro !
sabe que vai morrer só não sabe como
desse gole da vida isso faz parte e eu tomo
não porque devia no boteco da esquina
mas porque paguei aquilo que dá esquiva
desvia da faca ! desvia da mentira !
cala a boca puxa o gatilho e atira
não fez diferença o que a disse a história
tudo tem seu tom ! sendo rico ! pobre ou escória
é ferida que não sangra repetida
é prego na cabeça metida
justo quando não pode se livrar de um sem outro sem dizer alguma praga
mas deixa quieto ! sendo que isso é só um dos cigarros que se traga
deixa o resto pra depois !
ora pois ! sente o cheiro da colônia !
tira o esmalte com amônia
sentir falta da preferência sem ter onde se encostar
e ver isso se tornar a referência de quem só quer apostar
e ver o circo pegar fogo a todo custo
sendo que pra isso ontem tinha um busto
mas não passa da passarela sem ter a quem recusar
apontar o dedo ! sei lá ! um monte de malandro pra acusar !
vai indo além do capim e depois da trincheira feita
levanta ! acorda ! trabalha se cansa e se deita !
tá errado ! se pensa como o pássaro que o verme pra comer busca
vai ter de ver também a luz pra saber que ela ofusca
no ladrilho ou no para brisa que passou
disse que a rutila é mais do que o que cassou
virou presa ! tá com pressa ! perdeu o acento
e quando reparou na aposta ! era mais de cem por cento
e pra dizer que nunca mais foi além da primeira folha dessa história ardida
não vai reparar na camisa furada e suja ! muito menos na bermuda encardia !
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2019.08.26 04:06 altovaliriano O berço literário de "As Crônicas de Gelo e Fogo"

Link: https://bit.ly/2Nxcory
Autor: Adrian McKinty
Título Original: When and where are George RR Martin's Game of Thrones novels set?

[...]
Com base no trabalho de George Macdonald, William Morris e Edward Plunkett, o que ficou conhecido como alta fantasia foi mais ou menos inventado por J. R. R. Tolkien. A Terra-média de Tolkien é uma Europa pré-histórica reimaginada, com idiomas baseados em nórdico antigo, galês antigo e irlandês antigo, mas essa é a única semelhança com a velha Europa do mundo real. A versão de Tolkien da Europa (ou da Eurásia) existe em um planeta em um universo paralelo onde (de acordo com O Silmarillion) o sol girava ao redor da Terra e o mundo era originalmente plano. Esta não é a história do nosso planeta Terra, mas uma história mitológica alternativa de um planeta com uma semelhança passageira com a nosso.
A alta fantasia como gênero explodiu nos Estados Unidos na década de 1960 após a publicação da versão em brochura de O Senhor dos Anéis, mas os seguidores da tradição de Tolkien não eram nem um pouco convencionais (graças a Deus) a respeito de onde e quando seus livros estavam realmente se passando. Às vezes, os escritores de fantasia imaginam seus romances em uma terra antiga; às vezes uma terra paralela; ou muitas vezes eles não oferecerem qualquer explicação sobre situação temporal e geográfica. Um truque interessante de Julian May em sua Saga of Pliocene Exile [Saga dos exilados do Plioceno] era usar a viagem no tempo, passando sua série em período anterior a evolução dos humanos (ou mesmo dos grandes primatas). Os livros de Conan, de Robert E. Howard , também ocorreram em uma Europa pré-histórica, reimaginada com menos cuidado. Meu expediente favorito é o utilizado por Stephen R Donaldson, na série Thomas Covenant, onde o leitor (e o protagonista) não consegue ter certeza se o estranho universo mágico existe apenas dentro da própria cabeça do herói.
A grande maioria desses romances tinha espadas, cavalos, reis, ferreiros e habitantes falando "a língua comum", mas onde tudo isso estava acontecendo? Fora a extraordinária cartografia da série Earthsea de Ursula Le Guin, os primeiros mapas desses reinos de fantasia não eram exatamente brilhantes: uma Terra Ocidental surgia com bastante frequência, assim como a Grande Floresta do Sul, a Longa Estrada, o Mar Amplo…
Mas uma abordagem diferente para a escrita de fantasia já havia sido desenvolvida pelo prolífico autor de ficção científica Jack Vance. Vance não tinha tempo para o falso-medievalismo e, em vez disso, sugeriu que dragões, espadas, mágicas, diferentes raças de homens e demais elementos poderiam existir na Terra milhões de anos no futuro, quando os continentes mudaram de forma, a tecnologia falhou e a evolução de humanos e animais seguiu em seu alegre caminhar.
O futuro apocalíptico tem sido, obviamente, uma trope na literatura ocidental desde os tempos bíblicos, mas foi a visão de um futuro distante em A Máquina do Tempo, de H. G. Wells, que inspirou Vance. Vance colocou muitas histórias em sua ameaçadora Terra Agonizante, e vários outros escritores de ficção científica e fantasia o seguiram. A série Book of the New Sun [Livro do Novo Sol], de Gene Wolfe, ambientado em um futuro entrópico, sombrio, degradado e esgotado, onde o próprio sol está prestes a se esvair, é provavelmente o melhor exemplo desse gênero. No maravilhosamente sombrio planeta Terra de Wolfe, um torturador profissional perambula em busca do que todos estamos procurando: significado, redenção, um lugar para colocar nossa desproporcional espada larga e uma cama para passar a noite.
Também sou admirador da quase esquecida série Road to Corlay de Richard Cowper, ambientada em uma Inglaterra pastoral pós-apocalíptica e inudanda, a milhares de anos no futuro. Esta pequena e gentil série foi considerada chata na época, mas influenciou Isobelle Carmody e Colin Meloy.
O universo Dungeons and Dragons também se passa em grande parte em uma futura Terra Agonizante (meu módulo favorito, Expedition to the Barrier Peaks, não me deixa mentir). É claro que muitos dos romancistas de fantasia que começaram a escrever nos anos 80 e 90 eram jogadores de D&D durante a infância - George R. R. Martin entre eles. Martin também era amigo de Gene Wolfe, e tão fã do falecido Jack Vance que editou uma coletânea-tributo de histórias explicitamente ambientadas no mundo de Vance.
Parece-me, então, que faz mais sentido considerar Game of Thrones como se passando não em alguma versão enlatada de nosso passado medieval, mas no futuro distante em que os continentes mudaram e alguns humanos desenvolveram habilidades físicas e mentais extraordinárias que, parafraseando Arthur C. Clarke, se confundiriam com magia.
Tudo, exceto a tecnologia mais básica, foi esquecida (Um Cântico para Leibowitz, de Walter M Miller Jr. é o livro recomendado aqui), de modo que são travadas batalhas entre humanos com espadas e escudos. Os dragões evoluíram ou foram geneticamente modificados a partir de lagartos, mas ainda existem animais utilitários, como vacas e cavalos. À medida que o sol se expande, a órbita da Terra se torna mais excêntrica e são esperadas profundas variações no clima, resultando em verões prolongados e invernos longos e mortais.
Michael Moorcock criticou a escola de fantasia de Tolkien como sendo "Ursinho Puff posando de épico", despolitizado, glorificador da guerra, bobo e ilógico. Embora essa acusação não incomode o leitor casual, que ainda pode alegremente considerar As Crônicas de Gelo e Fogo como uma fantasia à moda antiga, leitores mais atentos poderiam argumentar que os livros de Martin tem um berço muito mais rico e profundo do que isso.
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